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Nova variante genética explica doença neurológica rara na infância

Nova variante genética associada à CONDSIAS explica a doença em pacientes infantis, com possível estratégia terapêutica via inibição da PARP para reduzir ADP-ribosilação

A proteína ARH3 remove sinais químicos temporários que, quando acumulados, podem prejudicar os neurônios
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  • Pesquisadores da USP identificaram nova variante genética associada à CONDSIAS, doença neurológica infantil descrita pela primeira vez em 2018.
  • Estudo, publicado na Neurology Genetics com apoio da Fapesp, analisa o caso de uma menina de 11 anos com duas variantes do gene ADPRS no cromossomo 1, uma já conhecida e outra inédita.
  • A CONDSIAS provoca epilepsia, ataxia, atraso no desenvolvimento e degeneração progressiva do sistema nervoso, com piora após infecções virais como gripe, herpes e Covid.
  • A proteína ARH3 funciona como um apagador molecular, removendo a ADP-ribosilação; sem ARH3, o sinal se acumula e pode comprometer neurônios.
  • Os pesquisadores buscam estratégias terapêuticas, sugerindo reduzir a formação da ADP-ribosilação, incluindo o uso de um antibiótico capaz de inibir a atividade da PARP, mas os estudos ainda não foram concluídos.

A USP (Universidade de São Paulo) identificou uma nova variante genética associada a uma doença neurológica rara em crianças, chamada CONDSIAS. O estudo, publicado na revista Neurology Genetics com apoio da Fapesp, descreve a relação entre a alteração e a condição pela primeira vez na América do Sul.

COND SIAS, sigla para neurodegeneração infantil induzida por estresse com ataxia e convulsões, apresenta epilepsia, atraso no desenvolvimento e coordenação motora prejudicada. A síndrome piora após infecções virais como gripe, herpes e Covid, quando o estresse fisiológico eleva a resposta imune.

O caso avaliado envolve uma menina de 11 anos que possuía duas variantes do gene ADPRS, no cromossomo 1. Uma dessas variantes já era associada à doença, enquanto a outra era inédita e cujo impacto clínico era desconhecido. O desafio foi estabelecer a relação entre as variantes e a síndrome.

A pesquisa aponta que a proteína ARH3 funciona como um “apagador molecular”, removendo a ADP-ribosilação que sinaliza danos celulares. Sem ARH3, esse sinal permanece, podendo comprometer principalmente neurônios, que são sensíveis a desequilíbrios moleculares.

Descoberta e implicações

Os cientistas destacam o avanço tecnológico no sequenciamento genético como facilitador do diagnóstico molecular, antes restrito a descrições clínicas. A partir do mecanismo da doença, o estudo busca estratégias terapêuticas futuras.

Embora não haja tratamento específico para CONDSIAS, a equipe investiga caminhos terapêuticos com foco na redução da ADP-ribosilação desde o início. Uma possível estratégia envolve o uso de um antibiótico que iniba a atividade da PARP, enzima que inicia esse processo, embora ainda esteja em estágio inicial.

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