- Estudo com imagens de ressonância magnética de mais de mil crianças identificou três perfis cerebrais distintos dentro do TDAH, chamados de biotipos.
- Biotipo 1 é o mais grave, com desregulação emocional, alterações no córtex pré-frontal e no pálido, e maior comorbidade de humor; tende a manter sintomas emocionais ao longo do tempo.
- Biotipo 2 é predominantemente hiperativo/ impulsivo, com alterações no córtex cingulado anterior e no pálido; mostrou melhora na regulação emocional ao longo do acompanhamento.
- Biotipo 3 é predominantly desatento, com alterações no giro frontal superior; as alterações cerebrais são mais localizadas, sugerindo foco clínico específico.
- Os biotipos foram formados apenas a partir de dados cerebrais, sugerindo que existem diferenças biológicas relevantes que podem influenciar escolhas de tratamento, mas ainda é preciso validar em ensaios clínicos e considerar limitações como disponibilidade de neuroimagem e representatividade de gênero.
Foi identificado, em um estudo publicado em 2026 na JAMA Psychiatry, que o TDAH pode ser dividido em três biotipos cerebrais distintos, não mais visto como um quadro único. A pesquisa analisou imagens de ressonância magnética de mais de mil crianças para mapear padrões de cérebro relacionados ao transtorno.
Participaram 446 crianças com TDAH e 708 sem o transtorno em seis centros na China e nos Estados Unidos; um segundo grupo independente avaliou mais 554 crianças com TDAH. A média de idade foi de cerca de 11 anos. Os pesquisadores criaram redes morfométricas para entender semelhanças entre regiões cerebrais.
Os três biotipos foram classificados sem uso de dados clínicos. Em seguida, as características neurobiológicas foram associadas a sintomas predominantes, sugerindo impactos diferentes sobre tratamento e prognóstico.
Biotipo 1 — mais grave, com desregulação emocional
142 crianças compõem esse grupo. Alterações concentram-se no córtex pré-frontal medial e no pálido, relacionados a emoção, tomada de decisão e regulação do comportamento. Predominavam desatenção, hiperatividade/impulsividade e dificuldades emocionais. A irritabilidade foi destacada como marcador de maior gravidade.
Biotipo 2 — hiperatividade/impulsividade
177 crianças integram esse biotipo, com alterações no córtex cingulado anterior e no pálido, associadas ao controle de impulsos. Hiperatividade e impulsividade são dominance, com desatenção em menor medida. Ao longo do acompanhamento, houve melhora na regulação emocional nesse grupo.
Biotipo 3 — desatenção predominante
127 crianças pertencem a esse grupo, com alterações no giro frontal superior, ligado à atenção sustentada e à memória de trabalho. A desatenção é o sintoma principal, com menor presença de hiperatividade. Os desvios cerebrais aparecem de forma mais focal.
Por que isso importa
Os biotipos surgiram a partir de dados cerebrais, sem referência a sinais clínicos, o que valida a ideia de subgrupos biológicos legítimos. A abordagem de “medicina de precisão” pode levar a tratamentos mais específicos, conforme as diferenças neurobiológicas.
As substâncias químicas do cérebro associadas a cada biotipo variam: biotipo 1 envolve dopamina, serotonina e acetilcolina; biotipo 2 aponta alterações em glutamato e no sistema endocanabinoide; biotipo 3 tem alterações ligadas à serotonina. Esses perfis sugerem que a resposta a medicamentos como o metilfenidato pode não ser igual para todos.
Limitações e cautela
Os autores destacam que o estudo é fotográfico de um momento no tempo; o cérebro infantil está em evolução. A plasticidade neural e o desenvolvimento até os 20–30 anos podem modificar os biotipos ao longo do tempo. A amostra é majoritariamente masculina, o que demanda validação em grupos com mais meninas.
Também há desafios práticos para a clínica: a neuroimagem utilizada é de acesso restrito em muitos contextos. A viabilidade de aplicar subtipagem baseadas em neuroimagem em saúde pública ainda não está assegurada.
O que vem a seguir
Os pesquisadors apontam que a prática clínica pode evoluir para uma abordagem de precisão, ajustando tratamentos conforme o biotipo, não apenas pelo quadro de sintomas. Ensaio clínico específico é necessário para confirmar se diferentes perfis respondem de forma distinta a intervenções.
Estudos anteriores já mostraram, por exemplo, que intervenções não farmacológicas podem beneficiar subgrupos de TDAH com irritabilidade. A comunidade científica ressalta que a aplicação clínica de подtipagem exige evidências robustas de eficácia e custo-benefício.
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