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Pesquisa identifica 3 tipos cerebrais de TDAH e mudanças no tratamento

Estudo com mil crianças identifica três biotipos do TDAH com padrões cerebrais distintos, apontando direção para tratamentos mais direcionados, ainda em avaliação

Menina se distrai olhando para o alto enquanto segura lápis, supostamente enquanto faz lição de casa
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  • Estudo com ressonância magnética em mais de mil crianças identificou três biotipos cerebrais do TDAH, sugerindo que a condição não é única.
  • Biotipo um, com 142 crianças, foi o mais grave, apresentando desatenção, hiperatividade e desregulação emocional, com alterações no córtex pré-frontal medial e no pálido.
  • Biotipo dois, 177 crianças, teve predomínio de hiperatividade/impulsividade, with alterações no córtex cingulado anterior e no pálido, e mostrou melhora na regulação emocional ao longo do tempo.
  • Biotipo três, 127 crianças, mostrou predomínio desatento, com alterações no giro frontal superior, ligadas à atenção sustentada e à memória de trabalho.
  • As descobertas abrem caminho para medicina de precisão no TDAH, mas exigem validacão em contextos clínicos, maior representatividade feminina e ensaios para verificar respostas a tratamentos diferentes.

Na edição de fevereiro de 2026, a revista JAMA Psychiatry publicou um estudo que desafia a visão de que o TDAH é uma condição única. Pesquisadores de três países analisaram imagens de ressonância magnética de mais de mil crianças para identificar padrões cerebrais distintos, chamados de biotipos. O objetivo foi entender se diferentes perfis podem responder de formas variadas a tratamentos.

A pesquisa utilizou imagens estruturais do cérebro de crianças com e sem TDAH, em seis centros de pesquisa na China e nos Estados Unidos. A amostra principal contou com 446 crianças com diagnóstico e 708 sem o transtorno, com média de idade de 11 anos. Um segundo grupo independente incluiu 554 crianças com TDAH para validação.

Biotipos identificados

Biotipo 1 reúne 142 crianças e apresenta desregulação emocional com alterações no córtex pré-frontal medial e no pálido. Clinicamente, há maior desatenção, hiperatividade e impulsividade, além de dificuldades emocionais persistentes ao longo do tempo. A irritabilidade é destacada como fator relevante para gravidade e resposta aos tratamentos.

Biotipo 2 inclui 177 crianças com predomínio hiperativo/impulsivo. As alterações ocorrem no córtex cingulado anterior e no pálido, associadas ao controle de impulsos. A desatenção é menos proeminente, e houve melhora na regulação emocional ao longo do acompanhamento.

Biotipo 3 envolve 127 crianças com predomínio desatento. As alterações ficam principalmente no giro frontal superior, relacionado à atenção sustentada e à memória de trabalho. Hiperatividade e impulsividade aparecem em menor grau, sugerindo um perfil mais focal.

Implicações e limitações da pesquisa

O estudo mostrou que os biotipos foram identificados sem informações clínicas, apenas com dados cerebrais, o que reforça a validade da abordagem por meio de neuroimagem. Os padrões metabólicos envolvem dopamina, serotonina, acetilcolina e, em Biotipo 2, glutamato e sistema endocanabinoide.

Os autores destacam que o diagnóstico atual, baseado no DSM, não reflete plenamente a diversidade neurobiológica do TDAH. A técnica de modelagem normativa ajudou a mapear desvios cerebrais e agrupar as crianças de modo independente de sintomas, o que sugere diferenças biológicas reais.

Apesar dos avanços, há ressalvas. O estudo fotografou o cérebro em um único momento, não acompanhando mudanças ao longo do tempo. A amostra é majoritariamente masculina, o que exige validação em grupos com mais meninas. A viabilidade prática da neuroimagem em saúde pública também é apontada como entrave para aplicação clínica.

O que vem a seguir

Os pesquisadores defendem a ideia de medicina de precisão na psiquiatria, buscando adaptar tratamentos a cada perfil neurobiológico. Ainda é prematuro afirmar que subtipos diferentes exigem medicações distintas, pois ensaios clínicos são necessários para comprovar respostas diferenciadas.

O estudo anterior já indicou que subgrupos podem responder a intervenções específicas, como treinamento parental para irritabilidade. Especialistas enfatizam a necessidade de acompanhamento longitudinal e de desenvolver métodos de subtipagem acessíveis em contextos variados.

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