- Jornalista Ju Massaoka descobriu presença de PMMA no nariz durante cirurgia recente para corrigir desvio de septo, após afirmação de aplicação sem conhecimento em rinoplastia antiga.
- PMMA é material permanente composto por microesferas sintéticas que permanece no organismo; uso estético no nariz é contra-indicado pela área médica.
- Recomenda-se reunir o máximo de informações do procedimento anterior, buscar histórico médico e avaliação com especialista em complicações faciais; pacientes podem confundir PMMA com ácido hialurônico.
- Em caso de falta de prontuário, exames de imagem como ultrassom dermatológico, ressonância magnética ou tomografia ajudam a identificar materiais e planos de aplicação, ainda que não determinem com precisão absoluta qual substância foi usada.
- A remoção é indicada apenas em casos específicos (infecção, dor, deformidade progressiva ou risco funcional); muitas vezes não é possível retirar 100% do material com segurança devido à infiltração em tecidos nobres.
Nos últimos dias, o caso da jornalista Ju Massaoka, repórter do Mais Você, reacendeu o alerta sobre rinoplastias antigas. Ela descobriu PMMA no nariz durante uma cirurgia para corrigir desvio de septo, procedimento que também requereu remoção do material e uso de enxerto de costela para reconstrução. O tratamento incluiu suporte para a cicatrização.
Especialistas destacam que o PMMA é um material permanente. Em entrevista, o otorrinolaringologista Edvaldo Reis informou que o composto fica no organismo por tempo indeterminado e não é indicado para uso estético facial, especialmente no nariz.
O que fazer antes de qualquer intervenção
A primeira orientação é reunir o máximo de informações sobre o procedimento anterior. Pacientes devem buscar o histórico médico e consultar um especialista em complicações faciais. Muitas vezes confundem com ácido hialurônico, mas materiais permanentes podem estar presentes.
Para indicar próximos passos, a dermatologista Rafaella D’Albuquerque recomenda iniciar com avaliação por imagem. Um ultrassom dermatológico pode ajudar a identificar quais produtos foram aplicados e em que planos, orientando decisões futuras.
Como descobrir o material utilizado
Solicitar documentos à clínica, hospital ou médico responsável é essencial. O prontuário completo, a descrição cirúrgica, evolução médica, termo de consentimento e etiquetas de rastreabilidade costumam trazer o nome comercial, fabricante, lote e registro na Anvisa.
Segundo Rafaella, a etiqueta do produto é o documento essencial para confirmar validade, material utilizado e autorização. Sem esse registro, a identificação depende mais da avaliação clínica e de exames de imagem.
Quando exames ajudam, mas não dizem tudo
Sem prontuário disponível, ultrassom de alta frequência, RM e TC ajudam a detectar materiais permanentes, fibrose, inflamação e deformidades. Contudo, nem sempre é possível identificar com precisão a substância apenas pelos exames. A confirmação pode exigir avaliação presencial ou, em alguns casos, cirurgia.
Profissionais com experiência em ultrassom dermatológico e radiologistas especializados em pele devem atuar na avaliação. A região nasal demanda cuidado, dada a vascularização, a pele fina e a margem limitada de expansão de volume.
Riscos e decisões sobre remoção
Os principais riscos incluem inflamação crônica, infecção tardia, granulomas, endurecimento, irregularidades e obstrução nasal. O uso indiscriminado do PMMA pode causar nodulações e alterações renais, conforme especialistas. O material pode estar licenciado pela Anvisa apenas para lipodistrofia.
A decisão de remover o material não é automática. Em pacientes estáveis, sem inflamação e com deformidades mínimas, a observação pode ser mais segura. Quando indicada, a remoção envolve cautela, pois o PMMA pode estar infiltrado em tecidos nobres e estruturas profundas, elevando o risco de cicatrizes e necessidade de reconstrução.
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