- Tamara Klink, aos 29 anos, tornou-se a brasileira mais jovem a cruzar o Atlântico em travessia solo e passou oito meses isolada no gelo ártico.
- Em 2025, completou a Passagem Noroeste, tornando-se a primeira mulher latino-americana a percorrer o trajeto sozinha.
- A viagem mostrou o recuo do gelo ártico, com trechos cada vez mais finos, que permitiram planejar e realizar a travessia antes intransponível.
- A velejadora associa o degelo ao aquecimento do Ártico, que pode alterar correntes marítimas e massas de ar, chegando ao Brasil com oceanos mais quentes.
- Ela defende fazer mais com menos, mostrando que reduzir consumo de energia hoje tende a gerar impactos maiores e mais rápidos.
Tamara Klink, velejadora brasileira, viveu oito meses no Ártico e completou a Travessia Noroeste, ligando Atlântico e Pacífico pelo Norte do Canadá. Aos 29 anos, tornou-se a primeira mulher latino-americana a percorrer esse trajeto sozinha. A experiência olha para as mudanças climáticas e seus impactos.
Filha de Amyr Klink e Marina Bandeira Klink, Tamara aprendeu sozinha a velejar após receber um não do pai aos 12 anos. Desenvolveu estudo e prática de navegação ao longo dos anos, chegando a navegar da Noruega ao Recife aos 24, em uma embarcação com falhas, sem apoio parental direto.
Em 2025, ela decidiu ficar no gelo de Groenlândia por oito meses, buscando entender o ambiente extremo sem a logística de portos. A expedição ocorreu entre outubro de 2025 e 45 dias de travessia, marcada por alterações no gelo e pela imprevisibilidade crescente.
O gelo revela
A passagem Atlântica pela região ártica dependeu de mudanças no gelo, que ficou mais fino e menos extenso. A velejadora explica que a melhoria na temperatura permitiu navegar por áreas antes intransitáveis, porém associadas a riscos maiores. Dados de satélite da NASA ajudam a planejar a rota.
Durante a missão, houve momentos de quase perda de apoio ao casco, exigindo ajustes rápidos de navegação. A lição central é que a curiosidade e o aprendizado surgem quando se corre riscos calculados, mesmo diante de incertezas.
Do Ártico ao Brasil
Tamara aponta que o Ártico atua como regulador térmico do planeta, refletindo radiação solar com o gelo e, quando ele recua, a absorção de calor aumenta. A mudança pode alterar correntes marítimas e massas de ar, com efeitos que podem alcançar o Brasil, incluindo o aumento do aquecimento de áreas costeiras.
A fauna, como os urros polares, já se reorganiza diante das alterações. Em uma experiência anterior, a velejadora lembra ter sido avisada por rádio sobre a presença de um urso no veleiro, lembrando os riscos reais do convívio com animais.
Fazer mais com menos
Antes da expedição, Tamara calculou cada item de consumo, desde higiene até alimentos. A lógica mudou para buscar o mínimo necessário, reduzindo o peso e a energia requerida para aquecer a embarcação. A velejadora reforça que ações de curto prazo já podem reduzir impactos futuros.
Ela ressalta que reduzir o consumo energético hoje é mais econômico e eficaz do que esperar décadas. A imaginação humana, segundo a navegadora, costuma subestimar possibilidades de viver com menos recursos, desafio que hoje se apresenta com urgência diante do aquecimento do Ártico.
Entre na conversa da comunidade