- Pesquisadores da Universidade Aalto transformaram madeira de um navio mercante do século XVII, encontrado em Oulu, em fibra têxtil por meio do processo Ioncell.
- O Hahtiperä, o naufrágio mais antigo já encontrado no norte da Finlândia, ficou parcialmente preservado sob o solo úmido e gerou resíduos usados na fibra têxtil.
- O vestido foi desenhado pela professora Anna-Mari Leppisaari, com apoio de um algoritmo evolutivo; o fio tem toque semelhante à seda e maior resistência que o algodão, mantendo a cor natural.
- O método Ioncell aproveita celulose de madeira e resíduos, promovendo uma produção têxtil mais sustentável sem necessidade de tingimento.
- O vestido está em exposição no Museu de Arte de Oulu desde 22 de maio, e um modelo gêmeo será apresentado na mostra Designs for a Cooler Planet, a partir de 1º de setembro na Universidade Aalto.
A madeira de um navio mercante do século 17, Hahtiperä, ganhou nova vida em Finlândia. Fragmentos encontrados em 2019, sob um estacionamento de Oulu, foram transformados em fibra têxtil por pesquisadores da Universidade Aalto, em parceria com a Universidade de Helsinque.
A bordo, o naufrágio é considerado o mais antigo já encontrado no norte do país. Partes do casco foram preservadas no solo úmido, mas nem todos os fragmentos resistiram ao resgate arqueológico. Restos ainda foram descartados ao longo do processo.
A arqueóloga marítima Minna Koivikko buscou alternativas para o material histórico. A equipe do Centro de Bioinovação da Aalto decidiu testar se a madeira do século XVII poderia virar fibra têxtil por meio do método Ioncell.
Transformação tecnológica e artística
Sob a coordenação do professor Michael Hummel, a equipe removeu sujeira, triturou o núcleo de pinheiro e gerou polpa dissolúvel. A fibra foi produzida com o método Ioncell, considerado sustentável por usar resíduos de celulose além de madeira virgem.
As fibras apresentam toque semelhante à seda e resistência superior ao algodão. A polpa continha poucas impurezas e foi fácil de processar, segundo a pesquisadora Inge Schlapp-Hackl. O resultado preserva marcas visuais da origem histórica.
O vestido foi criado pela designer Anna-Mari Leppisaari, no ateliê de tricô da universidade. O desenho soma veios da madeira e padrões inspirados em ruído digital, com apoio de um algoritmo evolutivo desenvolvido por Severi Uusitalo.
A cor do traje é natural do naufrágio, sem tingimento. A peça foi produzida em máquina de tricô industrial que evita desperdício e permite confecção sem costura.
Patrimônio que dialoga com o presente
A produção busca aproximar o público do patrimônio subaquático, habitualmente distante do cotidiano. A pesquisa integra a linha de uso sustentável de biomassas da universidade, com foco na redução de matérias-primas virgens.
Dezenas de especialistas colaboraram em quase dois anos. Uma das peças já está em exibição na exposição Tomorrow’s Wardrobe, no Museu de Arte de Oulu, aberta desde 22 de maio. Outro vestido gêmeo integrará Designs for a Cooler Planet, que estreia em 1º de setembro na Universidade Aalto.
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