- Densidade média de 4,2 capivaras por quilômetro na região do Lago Paranoá leva a uma estimativa de cerca de 336 animais ao redor da orla, com grupos monitorados de até 30.
- A espécie Hydrochoerus hydrochaeris é semiaquática; adultos medem entre 1,30 m e 1,50 m e pesam em torno de 50 kg a 60 kg; a alimentação é herbívora e ocorre principalmente à noite.
- A convivência é rotina para moradores e trabalhadores locais, que relatam avistagens diárias, fotos frequentes e até laços afetivos com animais, como uma fêmea chamada Severina.
- Especialistas alertam que as capivaras continuam silvestres; podem reagir de forma agressiva se se sentirem ameaçadas; ajudam no controle da vegetação e na dispersão de sementes, mas há preocupação com carrapatos e saúde pública.
- As capivaras são protegidas por lei; abate, caça ou perseguição configuram crime ambiental; todo o Lago Paranoá é Área de Preservação Permanente, com monitoramento em parceria entre Ibram, secretarias e a Universidade Católica de Brasília (2025–2027).
As capivaras, residentes tradicionais do Paranoá, encantam brasilienses e ajudam na saúde ambiental da região do Lago Paranoá. Elas vivem próximas à orla e tornaram-se ponto obrigatório de fotos para quem passa pelo espelho d’água.
Levantamento do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), entre 2021 e 2022, aponta densidade média de 4,2 capivaras por quilômetro na área do lago, com cerca de 80 km de margem. Estima-se que aproximadamente 336 animais integrem a população da orla, com variação sazonal.
Hydrochoerus hydrochaeris, espécie semiaquática, utiliza o lago como abrigo e fonte de alimentação. Adultos medem entre 1,30 m e 1,50 m, pesando mais de 50 kg. A água favorece termorregulação e proteção contra predadores.
Rotina no Paranoá
Quem convive com os animais há anos afirma que a presença é parte da vida local. Um auxiliar de serviços gerais, que atua próximo à Ponte JK, observa grupos estáveis e relata a convivência com animais considerados mansos.
A proximidade gerou vínculos com moradores. Um jardineiro comenta observações de grandes grupos com filhotes, quando chegam a deslocar-se pelo estacionamento e retornar às margens ao fim do dia.
Nos períodos de calor intenso, moradores costumam levar folhas e água para os animais, reforçando o laço entre fauna silvestre e população. A prática tornou-se comum e é vista como gesto de cuidado.
Cuidados e riscos
Especialistas insistem na distinção entre convivência e domesticação. Animais continuam silvestres e podem reagir de forma agressiva se se sentirem ameaçados, especialmente com filhotes por perto. O Lago Paranoá oferece ambiente favorável à permanência da espécie.
A dinâmica social dos capivarídeos é de grupos que podem chegar a 20 ou 30 indivíduos. A presença humana intensa desperta interesse, mas também exige prudência para evitar conflitos.
O papel ecológico das capivaras é relevante: ajudam no controle da vegetação e na dispersão de sementes, contribuindo para o equilíbrio das áreas alagadas do Cerrado. Ectoparasitas, como carrapatos, representam preocupação de saúde pública em determinadas regiões.
Proteção e monitoramento
As capivaras são protegidas por lei. Abate, caça, captura ou perseguição configuram crime ambiental com pena de detenção e multa. Toda a orla do Lago Paranoá é Área de Preservação Permanente (APP), reforçando a proteção da fauna local.
O Governo do Distrito Federal mantém um projeto de monitoramento, em parceria entre Ibram, Secretaria de Meio Ambiente, Secretaria de Saúde e a Universidade Católica de Brasília. O estudo, iniciado em 2025, segue até 2027 para ampliar o conhecimento sobre a população da espécie no DF.
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