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Mais da metade das mulheres sente dor intensa ao colocar DIU, aponta estudo

Estudo com mais de sete mil inserções aponta dor frequente na colocação do DIU (81%), desafiando diretrizes do Ministério da Saúde e exigindo manejo da dor

Maioria das brasileiras sente dor moderada a intensa na colocação do DIU
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  • Estudo realizado no Ambulatório de Planejamento Familiar do Hospital da Mulher Professor José Aristodemo Pinotti, da Unicamp, analisou mais de sete mil inserções de DIU entre 2022 e 2024.
  • 81% das entrevistadas relataram desconforto durante a colocação do DIU, superior aos 5% registrados anteriormente pelo Ministério da Saúde.
  • O objetivo foi compreender como a dor ocorre e varia de pessoa para pessoa; a pesquisa resulta da tese de mestrado de Ana Luiza Savi.
  • O artigo foi publicado no International Journal of Gynecology and Obstetrics.
  • Dados de saúde indicam que apenas 4% das pessoas recorrem ao DIU no Brasil, enquanto cerca de 40% utilizam pílulas anticoncepcionais, com fatores como falta de informação, capacitação de médicos e medo da dor apontados como barreiras.

O estudo realizado no Ambulatório de Planejamento Familiar do Hospital da Mulher Professor José Aristodemo Pinotti, da Unicamp, mostra que a dor na colocação do DIU é mais frequente do que apontavam as diretrizes do Ministério da Saúde. Enquanto antes apenas 5% apresentavam dor moderada a intensa, a pesquisa identificou que 81% das entrevistadas relataram desconforto durante o procedimento. O objetivo foi compreender como a dor ocorre e varia entre as pessoas, analisando mais de 7 mil inserções realizadas entre 2022 e 2024, com dados coletados no CAISM. O hospital é referência internacional em planejamento familiar e tem contribuído para estudos sobre métodos contraceptivos no Brasil. O artigo saiu no International Journal of Gynecology and Obstetrics e integra a tese de mestrado da psicóloga Ana Luiza Savi, orientada por docentes da Unicamp.

A pesquisa oferece aporte para avaliação da dor durante a inserção de DIU e aponta lacunas na prática clínica. O estudo destaca que a dor não é um evento isolado, mas comum, e aponta a necessidade de manejo mais sistemático do desconforto com analgésicos, anti-inflamatórios e antiespasmódicos. A autora ressalta que a desinformação e a subestimação da experiência das pacientes dificultam o acolhimento adequado e o uso do DIU, mesmo com eficácia comprovada. A partir dos dados, reforça-se a importância de estratégias para reduzir o incômodo e melhorar a experiência das pessoas com útero.

Contexto sobre acesso e uso do DIU

Especialistas destacam que, apesar da eficácia, o DIU ainda é pouco utilizado no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que cerca de 4% da população recorre ao método, enquanto aproximadamente 40% usa pílulas anticoncepcionais. A baixa adoção é atribuída a fatores como falta de acesso à informação, capacitação de médicos e receio quanto à dor durante a inserção. A pesquisadora aponta que a desinformação é a principal barreira para a colocação do DIU.

Desafios na política de planejamento familiar

O estudo também chama atenção para a ausência de uma política de planejamento familiar robusta no país. O professor Luis Bahamondes afirma que não existem diretrizes unificadas, o que gera falhas de gestão, logística e distribuição de insumos, além de limitar a capacitação profissional. Segundo ele, historicamente as queixas sobre dor existem, mas diretrizes para mitigar o desconforto não foram implementadas. O especialista enfatiza a necessidade de reconhecer os direitos das pacientes e melhorar o atendimento de saúde para aumentar o acesso a métodos como o DIU.

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