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Mercúrio e chumbo são encontrados em caranguejos, dizem pesquisadores

Mercúrio e chumbo são encontrados em caranguejo-uçá de manguezal no litoral do Paraná, levantando preocupações sobre saúde e consumo sazonal

Paranaguá (PR), 18/05/2026 – O pescador Antônio Souza captura caranguejos-uçá (Ucides cordatus) no manguezal da Baía de Paranaguá, área monitorada pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • Pesquisadores do Rebimar identificaram mercúrio e chumbo no caranguejo-uçá (Ucides cordatus) no manguezal da Baía de Paranaguá, litoral do Paraná.
  • Além disso, foram encontrados zinco, manganês e magnésio, que são essenciais ao corpo humano; porém mercúrio e chumbo foram detectados.
  • Os resultados indicam que as contaminações não são constantes, variando conforme o local e a época do ano.
  • Apesar da presença de contaminantes, o caranguejo apresentava estado de saúde considerado bom durante as observações.
  • As hipóteses em estudo incluem eliminação de contaminantes pela carapaça ou possível influência dos taninos das folhas do mangue na contaminação; área fica próxima ao Porto de Paranaguá, Ilha da Cotinga e Ilha do Mel.

Pesquisadores identificaram a presença de mercúrio e chumbo em caranguejos da espécie uçá, coletados no manguezal da Baía de Paranaguá, litoral do Paraná. O estudo é conduzido pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), ligado à Associação Mar Brasil, com apoio voluntário do Programa Socioambiental da Petrobras.

A equipe monitora a saúde do mangue e de seus habitantes, incluindo o caranguejo-uçá, símbolo da região. Antônio de Souza, o Pano, é catador da área desde há décadas, participando de atividades durante o defeso, quando a captura é liberada para consumo familiar e renda local.

Contaminação detectada e variação regional

Pesquisas apontam concentração de zinco, manganês e magnésio no caranguejo, componentes importantes para o organismo humano. No entanto, mercúrio e chumbo também foram identificados, com variação conforme o local e a época do ano. A equipe destaca a necessidade de mais estudos para entender impactos à saúde.

Disponibilidade de dados e contexto local

As informações indicam que a pesca de caranguejo movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no Paraná em 2024. Municípios como Guaraqueçaba, Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Pontal do Paraná se destacaram na atividade. A proximidade de portos e áreas turísticas influencia o cenário ecológico e econômico.

Perspectivas de saúde pública e possíveis caminhos

A pesquisadora Cassiana Baptista Metri enfatiza que os caranguejos parecem manter a vida normal, apesar da contaminação. Duas hipóteses guiam as próximas etapas: a eliminação de contaminantes pela carapaça e a influência da base alimentar, com folhas de mangue ricas em taninos, em possível efeito antioxidante.

Desdobramentos e próximos passos

A região estudada fica próxima a áreas de alto tráfego portuário, ilhas habitadas e áreas de turismo, fatores que podem influenciar a qualidade ambiental. A pesquisa visa esclarecer quanto consumo de caranguejo potencialmente contaminado pode impactar a saúde, com foco em quantidades consumidas na prática tradicional.

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