- Pesquisadores do Rebimar identificaram mercúrio e chumbo no caranguejo-uçá (Ucides cordatus) no manguezal da Baía de Paranaguá, litoral do Paraná.
- Além disso, foram encontrados zinco, manganês e magnésio, que são essenciais ao corpo humano; porém mercúrio e chumbo foram detectados.
- Os resultados indicam que as contaminações não são constantes, variando conforme o local e a época do ano.
- Apesar da presença de contaminantes, o caranguejo apresentava estado de saúde considerado bom durante as observações.
- As hipóteses em estudo incluem eliminação de contaminantes pela carapaça ou possível influência dos taninos das folhas do mangue na contaminação; área fica próxima ao Porto de Paranaguá, Ilha da Cotinga e Ilha do Mel.
Pesquisadores identificaram a presença de mercúrio e chumbo em caranguejos da espécie uçá, coletados no manguezal da Baía de Paranaguá, litoral do Paraná. O estudo é conduzido pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), ligado à Associação Mar Brasil, com apoio voluntário do Programa Socioambiental da Petrobras.
A equipe monitora a saúde do mangue e de seus habitantes, incluindo o caranguejo-uçá, símbolo da região. Antônio de Souza, o Pano, é catador da área desde há décadas, participando de atividades durante o defeso, quando a captura é liberada para consumo familiar e renda local.
Contaminação detectada e variação regional
Pesquisas apontam concentração de zinco, manganês e magnésio no caranguejo, componentes importantes para o organismo humano. No entanto, mercúrio e chumbo também foram identificados, com variação conforme o local e a época do ano. A equipe destaca a necessidade de mais estudos para entender impactos à saúde.
Disponibilidade de dados e contexto local
As informações indicam que a pesca de caranguejo movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no Paraná em 2024. Municípios como Guaraqueçaba, Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Pontal do Paraná se destacaram na atividade. A proximidade de portos e áreas turísticas influencia o cenário ecológico e econômico.
Perspectivas de saúde pública e possíveis caminhos
A pesquisadora Cassiana Baptista Metri enfatiza que os caranguejos parecem manter a vida normal, apesar da contaminação. Duas hipóteses guiam as próximas etapas: a eliminação de contaminantes pela carapaça e a influência da base alimentar, com folhas de mangue ricas em taninos, em possível efeito antioxidante.
Desdobramentos e próximos passos
A região estudada fica próxima a áreas de alto tráfego portuário, ilhas habitadas e áreas de turismo, fatores que podem influenciar a qualidade ambiental. A pesquisa visa esclarecer quanto consumo de caranguejo potencialmente contaminado pode impactar a saúde, com foco em quantidades consumidas na prática tradicional.
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