- Estudo publicado na revista PLOS Digital Health analisou 211 milhões de transações entre 2006 e 2015 de cerca de 3,4 milhões de consumidores na Inglaterra.
- Nessa amostra, 26,7% das clientes que compraram produtos menstruais também levaram analgésicos na mesma compra.
- A probabilidade de comprar analgésicos junto com itens menstruais foi quase quatro vezes maior do que em transações comuns.
- Mulheres em áreas de renda mais baixa tinham 32% menos chance de adquirir analgésicos junto com produtos menstruais em comparação às de regiões mais ricas.
- O intervalo entre compras de produtos menstruais costuma ser de 28 dias, coincidindo com a média do ciclo menstrual.
A pesquisa, publicada na revista PLOS Digital Health, analisou 211 milhões de transações entre 2006 e 2015 na Inglaterra. O foco foi comprar analgésicos junto com itens menstruais como absorventes e coletores.
O estudo foi liderado pela pesquisadora Victoria Sivill, da University of Bristol, com participação de especialistas do The Alan Turing Institute e da University of Nottingham.
Foram avaliadas cerca de 3,4 milhões de consumidores com cartão de fidelidade de uma grande rede britânica de farmácias e beleza. Cerca de 26,7% dos clientes que compraram produtos menstruais também adquiriram analgésicos na mesma compra.
Os autores destacam que a probabilidade de compra conjunta de analgesia é quase quatro vezes maior do que em transações isoladas. Os dados ajudam a quantificar uma experiência de saúde muitas vezes invisibilizada.
Desigualdade de acesso
Mulheres em áreas de menor renda apresentaram 32% menos chance de incluir analgésicos na compra de itens menstruais. A hipótese é que o custo impede a adoção regular de medicamentos para dor, não a menor intensidade das cólicas.
O intervalo entre compras de produtos menstruais mostrou padrão de 28 dias, alinhado ao ciclo médio. O estudo sugere que dados de consumo refletem comportamentos reais do cotidiano.
A metodologia foca em hábitos de compra ao longo de quase dez anos, reduzindo vieses de respostas em entrevistas ou questionários. Os resultados valorizam a visibilidade da dor menstrual na saúde pública.
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