- O relatório da Organização Meteorológica Mundial e do Met Office prevê que as temperaturas médias globais ficarão entre 1,3 °C e 1,9 °C acima dos níveis pré‑industriais nos próximos cinco anos.
- É muito provável que haja um ano entre 2026 e 2030 com temperaturas globais próximas ou acima de 1,5 °C; também há chance de superar o recorde de 2024 nesse período.
- Superar temporariamente 1,5 °C não significa fracasso do Acordo de Paris, que foca na média de longo prazo em 20 anos.
- No Ártico, as temperaturas de inverno devem subir cerca de 2,8 °C acima da base de 1991‑2020, com derretimento do gelo marinho no Barents, Bering e Okhotsk em março.
- O relatório aponta inverno mais úmido no hemisfério norte, chuvas em norte da Europa, Alasca, Sibéria e Sahel, seca prevista para a Amazônia, e um forte El Niño previsto para o inverno atual que pode durar até 2027, elevando as temperaturas globais.
O relatório anual divulgado pela agência meteorológica da ONU e pelo Met Office do Reino Unido aponta que as temperaturas médias globais devem ficar próximas de recordes nos próximos cinco anos. A expectativa é de que as temperaturas superficiais variem entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais de 1850-1900, com o Ártico aquecendo mais rapidamente.
Segundo o documento, é muito provável que a temperatura média global ultrapasse temporariamente 1,5°C em pelo menos um ano entre 2026 e 2030. Um ano adicional nesse período pode ainda superar o recorde de 2024, quando as temperaturas globais já haviam passado desse patamar.
A pesquisadora Melissa Seabrook, do Met Office, destacou que cruzar esse limiar não implica fracasso do Acordo de Paris, já que o acordo trabalha com médias de longo prazo, ao longo de 20 anos. Contudo, o aquecimento contínuo aumenta a frequência de ultrapassagens no futuro.
Eventos climáticos mais severos
O estudo aponta que, nos próximos cinco anos, as temperaturas de inverno no Hemisfério Norte devem subir cerca de 2,8°C acima da base de 1991-2020, em ritmo acima da média global. A previsão também indica derretimento do gelo marinho no Ártico em março, nos mares de Barents, Bering e Okhotsk, ao longo de boa parte do período.
O aquecimento ártico pode desestabilizar padrões meteorológicos e favorecer eventos extremos nas regiões mais ao norte. Além disso, o relatório prevê maior umidade nos invernos do Hemisfério Norte e chuvas no norte da Europa, no Alasca, na Sibéria e no Sahel entre maio e setembro, com Amazônia enfrentando menor umidade nesse intervalo.
O documento também prevê um forte El Niño para o inverno atual, com potencial de persistir até 2027. Esse aquecimento anual das temperaturas de superfície do Pacífico pode elevar as temperaturas globais a patamares próximos de recorde, conforme as medições acompanham o fenômeno.
Entre na conversa da comunidade