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Terremoto raro nos EUA desafia teorias geológicas

Terremotos no manto continental, a profundidades de até 90 km em Utah, desafiam explicações tradicionais sobre a origem de sismos

Para os cientistas, o dado mais importante não foi a magnitude, mas o local onde o sismo começou. A maioria dos terremotos acontece na crosta terrestre, a camada mais superficial do planeta - (crédito: Flow)
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  • Terremotos do manto continental foram identificados a até noventa quilômetros de profundidade sob Utah e Wyoming, região antes considerada improvável para sismos.
  • O evento de Maeser, Utah, ocorreu em dez de setembro de dois mil e vinte e cinco, com magnitude quatro vírgula um e profundidade em torno de sessenta e oito quilômetros.
  • O foco dos tremores fica mais abaixo da descontinuidade de Mohorovii, marcando o limite entre crosta e manto, o que é atípico para terremotos.
  • Pesquisadores da Universidade de Utah, liderados por Keith Koper, classificaram o tremor de Maeser como exemplar de terremoto do manto.
  • A investigação tradicional começou com registros de mil novecentos-setenta e nove, perto de Randolph, que, reanalisados, mostraram atividades profundas no manto superior; estudo aponta possível mecanismo de fuga térmica.

Um terremoto de magnitude 4,1 registrado em 10 de setembro de 2025, perto de Maeser, no nordeste de Utah, ocorreu a cerca de 68 km de profundidade, dentro do manto da Terra. O evento desafia explicações tradicionais sobre a geração de sismos.

Pesquisadores da Universidade de Utah confirmaram que a sequência de tremores se formou muito abaixo da crosta, até 90 km de profundidade, em uma região associada ao manto continental. O achado reforça a existência desse tipo raro de terremoto.

O ponto-chave não é a magnitude, mas o lugar de origem, bem abaixo da crosta, além da descontinuidade de Mohorovii, o que caracteriza um tremor no manto. A equipe descreve o caso de Maeser como exemplar de terremoto do manto arquetípico.

Como foram identificados

A identificação ocorreu por meio de reanálise de registros históricos das estações sismográficas da Universidade de Utah. Dados de 1979 e de outros oito eventos em Utah e Wyoming mostraram origem muito abaixo da crosta.

Os cientistas explicam que a localização precisa depende do tempo de chegada de diferentes ondas sísmicas aos sensores. Os tremores profundos costumam apresentar poucos sinais de réplicas e repetição, com alta frequência nas ondas.

Os pesquisadores acreditam que a possível causa envolve fuga térmica, onde temperaturas acima de 700°C deformam rapidamente as rochas profundas, favorecendo rupturas súbitas. O estudo foi publicado em The Seismic Record e Geophysical Research Letters.

Contexto geológico

Os tremores ocorreram próximo à borda do Cráton de Wyoming, uma massa antiga e estável sob partes de Wyoming e estados vizinhos. Especialistas sugerem que o manto quente circula ao redor dessa raiz rígida, gerando tensões que pode gerar sismos profundos.

Essa linha de pesquisa aponta para lacunas nos modelos atuais sobre o interior da Terra. Embora haja avanços, ainda não se sabe exatamente como terremotos acontecem a grandes profundidades ou qual é o seu potencial destrutivo, diverso dos tremores rasos.

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