- A Biohub, criada por Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, lança um modelo de IA para estudar proteínas e projetar estruturas úteis em tratamentos.
- A solução inclui três artefatos: ESMFold2 (prediz estruturas e ajuda no desenho de proteínas), ESM Atlas (mapa de 6,8 bilhões de sequências e 1,1 bilhão de estruturas) e ESMC (modelo de linguagem de proteínas treinado em cerca de 2,8 bilhões de sequências).
- O objetivo é criar proteínas que se liguem a alvos moleculares específicos com alta afinidade, para aplicações em oncologia e imunologia.
- Em testes, a IA gerou dezenas de milhares de proteínas em cerca de dois dias, avaliando estabilidade e potencial terapêutico contra alvos como EGFR, PD-L1 e CTLA-4, com resultados de laboratório validando algumas ligações estáveis.
- A empresa afirma que, à medida que as representações digitais da biologia ficam mais precisas, os designs de proteínas podem ser testados computacionalmente antes de irem à bancada de laboratório, acelerando o processo de pesquisa.
A Biohub, empresa criada por Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, divulgou a lançamento de um modelo de IA voltado ao estudo da biologia das proteínas e ao design de estruturas mais precisas para tratamentos. A informação foi anunciada no site da empresa.
A nova geração, chamada de Modelos Evolutivos em Escada (ESM), aprende a partir das sequências proteicas ao longo da evolução e usa esse conhecimento para representar, mapear, prever e projetar proteínas com maior probabilidade de atuação terapêutica.
O sistema contempla três artefatos: ESMFold2, para prever estruturas e impulsionar o desenho de novas proteínas; ESM Atlas, que reúne 6,8 bilhões de sequências e 1,1 bilhão de estruturas previstas; e ESMC, um modelo de linguagem de proteínas treinado em cerca de 2,8 bilhões de sequências.
Segundo a Biohub, a IA pode favorecer o desenvolvimento de proteínas que se ligam a alvos moleculares específicos, aumentando a afinidade de ligação. Os resultados foram validados contra cinco alvos relevantes em oncologia e imunologia.
“Acreditamos que este é um momento importante no design de proteínas. Quando as representações digitais da biologia atingirem maior precisão, os designs poderão ser testados computacionalmente antes de irem ao laboratório”, afirmou a Biohub.
Como o modelo funciona
O ESMC é o mais recente passo de um programa iniciado em 2019, que criou o primeiro modelo de linguagem transformer para sequências de proteínas. O treinamento busca internalizar propriedades que regem o dobramento, a interação e a função das proteínas.
As proteínas são formadas por aminoácidos cuja ordem determina a dobra da cadeia e, consequentemente, sua função. Pesquisadores identificaram que modelos de IA captam não apenas sequências, mas também estruturas e funções biológicas.
Aplicações na medicina
Com o aprendizado de padrões biológicos, o modelo consegue prever formatos tridimensionais, funções e até projetar proteínas inéditas no computador. A ferramenta pode permitir o projeto de ligantes com alta seletividade, acelerando etapas da medicina de precisão.
O estudo destaca o potencial para criar proteínas que se ligam a alvos como EGFR, PD-L1 e CTLA-4, ligados a câncer e ao sistema imune. Em testes, a IA gerou dezenas de milhares de proteínas em cerca de dois dias para identificar candidatos estáveis com potencial terapêutico.
Resultados indicam que maior poder computacional elevou a taxa de sucesso, especialmente entre anticorpos mais desafiadores. Algumas proteínas criadas passaram a ser testadas em laboratório e mostraram ligação estável aos alvos.
Segundo a biohub, os pesquisadores mostram que é possível projetar ligantes de proteínas validados em laboratório para cinco alvos clinicamente relevantes em questões de dias, ampliando o acesso a essas ferramentas para pesquisadores, em qualquer lugar.
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