- Figueira de bengala, com cerca de 130 anos, fica dentro do Rubaiyat, nos Jardins, em São Paulo, e tem pouco mais de cinquenta por cento da sua constituição viva.
- O biólogo Italo Mazzarella cuida da árvore há dez anos, com remuneração e retorno há três anos, realizando nutrição, controle de pragas, escoramento e indução de novas raízes.
- Documentos da Gaia Consultoria apontam necrose e apodrecimento nos troncos, casca que se desprende e infestação de brocas e cupins, o que fragiliza a madeira e aumenta o risco de queda.
- Houve poda drástica e implantação de muletas nos galhos; o auto de infração foi apresentado à Divisão de Fiscalização da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com autorização e laudo técnico do município.
- Especialistas afirmam que o ambiente urbano pode ter contribuído para o envelhecimento precoce da figueira, com custos entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão por ano para manter a árvore.
A figueira de bengala, com cerca de 130 anos, ocupa um espaço inusitado no Rubaiyat, restaurante tradicional dos Jardins, em São Paulo. Hoje, a árvore registra pouco mais de metade da sua vitalidade, segundo o biólogo Italo Mazzarella, responsável pelo cuidado ao longo de uma década.
A situação é acompanhada pela Gaia Consultoria e Gestão Ambiental, responsável pelos laudos técnicos. Em relatório de março de 2026, aponta necrose em troncos, desgaste da casca e sinais de infestação por brocas e cupins, o que enfraquece a madeira e aumenta o risco de queda.
O trabalho de recuperação envolve nutrição da figueira, controle de pragas e escoramento. Há também a tentativa de induzir novas raízes com hormônio enraizador e a implantação de suportes nos galhos para evitar acidentes, conforme o documento apresentado à fiscalização.
Contexto técnico e institucional
Belarmino Iglesias, da segunda geração do Rubaiyat, afirma que a prioridade é manter a árvore viva, com gastos estimados entre 700 mil e 1 milhão de reais por ano. Italo ressalta que a intervenção não planeja a remoção, pois partes da planta ainda estão ativas.
A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente confirmou que houve um auto de infração para esclarecer a poda realizada, com autorização do proprietário e laudo técnico emitido pela Subprefeitura de Pinheiros. Técnicos analisam os motivos para a intervenção e o estado da árvore.
Especialistas apontam que o ambiente urbano pode colaborar para o desgaste. O biólogo Gregório Ceccantini, da USP, observa que alterações no entorno, como impermeabilização de áreas e obras de construção, podem impactar raízes e saúde da figueira centenária.
O Rubaiyat permanece sob vigilância diária, com medidas de segurança para clientes e funcionários. A discussão sobre o futuro da árvore envolve considerar alternativas de preservação sem abrir mão de manter um ícone gastronômico da cidade.
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