- Fóssil encontrado na Patagônia, na Formação Chorrillo, é a nova espécie Kank australis, pertencente aos unenlagiídeos e com cerca de 2,5 a 3 metros de comprimento.
- A descoberta, publicada em 28 de maio no Journal of Vertebrate Paleontology, foi liderada pelo paleontólogo Matías Motta, do Museu de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia.
- O animal parece ter caçado peixes em ambientes aquáticos, possuindo pescoço e vértebras adaptados para movimentos rápidos e precisos, além de dentes com cristas afiadas.
- O sítio data de aproximadamente 70 milhões de anos atrás, quando a região era úmida, com rios, lagoas e vegetação aquática; o dinossauro convivia com peixes, anfíbios e predadores maiores, como Maip macrothorax.
- O nome Kank faz referência a uma lenda do povo Aonikenk (Tehuelche) e australis indica localização no sul; os pesquisadores planejam novas escavações para entender melhor o ambiente e o papel ecológico da espécie.
Um novo fóssil encontrado na Patagônia, no sul da Argentina, revela uma espécie de dinossauro que caçava peixes em ambientes aquáticos, com semelhanças a garças. Chamado Kank australis, ele viveria há cerca de 70 milhões de anos, no fim do Cretáceo.
A descoberta foi publicada em 28 de maio no Journal of Vertebrate Paleontology. A equipe foi liderada pelo paleontólogo Matías Motta, do Museu de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, em Buenos Aires. Os fósseis foram localizados na Formação Chorrillo, região de Santa Cruz.
Entre os vestígios, constam dentes, vértebras e ossos dos dedos dos pés. Fragmentos iniciais encontrados em 2018 não permitiam confirmação, mas em 2024 uma vértebra cervical mais preservada ajudou a identificar o animal como um novo unenlagiídeo.
O animal e seu modo de caçar
O Kank australis pertence aos unenlagiídeos, dinossauros terópodes pequenos a médios. Os pesquisadores estimam que adultos tinham 2,5 a 3 metros de comprimento. A anatomia do pescoço chama atenção pela fixação de músculos e proteção de vasos sanguíneos, semelhante ao observado em garças atuais.
A vértebra cervical pneumática, com cavidades de ar internas, sugeriria movimentos rápidos e precisos do pescoço para capturar peixes em fuga. O focinho alongado e os dentes com cristas afiadas reforçam a hipótese de alimentação aquática.
Ambiente e convivência
Na época, a região da Patagônia era úmida, com rios, lagoas sazonais e vegetação aquática, diferente do clima atual. O ecossistema abrigava peixes, insetos, moluscos, anfíbios, tartarugas, pequenos mamíferos e predadores maiores.
Entre os predadores da área estava Maip macrothorax, um megaraptorídeo de mais de 10 metros, que poderia ter caçado o novo dinossauro. A descoberta contribui para entender a distribuição de unenlagiídeos no sul da América do Sul no fim do Cretáceo.
Significado científico
O nome Kank faz referência a uma lenda do povo Aonikenk, com a ideia de uma ave gigante associada a pegadas que formaram a constelação do Cruzeiro do Sul. Australis indica origem do sul. A equipe planeja novas escavações na Formação Chorrillo para ampliar o entendimento do ambiente e da biologia de Kank.
Os pesquisadores destacam que a descoberta preenche lacunas no registro fóssil da região e reforça que unenlagiídeos habitavam diferentes áreas da América do Sul ao final da era dos dinossauros. Novas escavações devem esclarecer o papel ecológico da espécie.
Entre na conversa da comunidade