- Estudo do Instituto de Física da Universidade de São Paulo mostra que calor intenso, aliado a descoloração e alisamento ácido, danifica a estrutura capilar e aumenta a porosidade dos fios.
- Fios virgens também apresentam alterações no córtex e na cutícula a partir de 220°C, com degradação das cadeias de queratina entre 220°C e 250°C.
- Lipídios que ajudam na hidratação perdem estabilidade acima de 260°C, levando a danos severos e quase total ausência dessas estruturas em temperaturas altas.
- A combinação de tratamentos químicos com calor torna os cabelos mais frágeis, porosos e suscetíveis à quebra, com menor estabilidade térmica do que fios naturais.
- O estudo aponta a importância de protetores térmicos, tratamentos reparadores e protocolos mais seguros em salões, além de recomendar moderação no uso de chapinhas e secadores.
O uso frequente de descoloração, alisamento ácido e calor intenso pode provocar danos relevantes na estrutura dos cabelos, segundo pesquisa do Instituto de Física da USP. O estudo observa alterações na camada interna (córtex) e na camada externa (cutícula) após aquecimento entre 30°C e 270°C.
Experimentos com fios naturais e quimicamente tratados revelaram que o calor acelera a porosidade, a deterioração e a perda de substâncias que dão resistência aos fios. Os danos se tornam mais severos quando descoloração, alisamento ácido e calor atuam em conjunto.
A pesquisadora Cibele de Castro Lima destacou que os resultados apontam danos graves já a partir de temperaturas próximas de 220°C, com degradação a partir de 230°C. A observação ocorreu via microscopia eletrônica e técnicas de espalhamento de raios X.
Entre 220°C e 250°C houve desnaturação da queratina e quebra das estruturas do córtex. A cutícula demonstrou maior resistência, mas também sofreu alterações conforme o calor aumentava. Lipídios que ajudam na hidratação deixaram de se manter estáveis acima de 260°C.
A pesquisa mostrou ainda que cabelos virgens podem sofrer com altas temperaturas, embora o córtex seja mais sensível ao calor que a cutícula. A liberação de gases derivados da decomposição de aminoácidos, como a cistina, também foi identificada a partir de 200°C, associando-se ao odor característico durante o uso de chapinhas.
Nas análises com raios X, fios descoloridos e alisados apresentaram menor estabilidade térmica do que cabelos virgens. As alterações ocorreram com o aumento da temperatura, especialmente entre 70°C e 270°C, indicando maior suscetibilidade a danos durante procedimentos que combinam química e calor.
Autoria e reconhecimento da equipe indicam que os resultados ajudam a entender limites seguros de temperaturas para chapinhas, secadores e tratamentos químicos. O objetivo é orientar a indústria cosmética na formulação de protetores térmicos e protocolos de salões de beleza.
Segundo o professor Cristiano Oliveira, o estudo amplia o conhecimento sobre danos provocados pelo calor e pelos químicos na fibra capilar. As informações podem embasar recomendações para práticas mais seguras e para o desenvolvimento de tratamentos reparadores.
O artigo Thermal Induced Changes in Virgin and Chemically Treated Hair foi publicado na Biopolymers. O estudo envolve a USP, o IF e a equipe liderada por Cibele de Castro Lima. Contatos para imprensa permanecem com a universidade.
Entre na conversa da comunidade