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Mosquitos podem ser atraídos pelo cheiro de repelentes, aponta estudo

Estudo revela que mosquitos podem aprender a associar o cheiro de DEET à presença de sangue, podendo ser atraídos em determinadas situações

Uma fêmea do mosquito da febre amarela (Aedes aegypti) alimentando-se de uma bolsa de sangue quente
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  • Estudo publicado em 28 de maio no Journal of Experimental Biology mostra que o DEET pode perder eficácia e, em certas condições, atrair mosquitos.
  • A pesquisa usou uma adaptação do experimento de Pavlov: mosquitos aprenderam a associar o cheiro do repelente à presença de sangue, buscando a alimentação.
  • Em testes, mais de 60% dos mosquitos passaram a tentar picar ao sentir apenas o cheiro do DEET após repetições do procedimento.
  • Os pesquisadores ressaltam que o DEET continua sendo uma ferramenta importante de prevenção, mas o fenômeno ocorre em uma situação específica, quando o repelente já não basta para afastar o inseto.

O DEET, considerado o repelente mais eficaz contra mosquitos, pode perder parte da sua eficácia após exposição repetida. Em condições específicas, a substância pode até atrair os insetos, segundo estudo publicado em 28 de maio no Journal of Experimental Biology.

A pesquisa mostra que mosquitos aprendem a associar o cheiro do DEET à presença de sangue humano. A descoberta surgiu de uma adaptação do experimento de Pavlov realizada por cientistas da França e da Argentina, com mosquitos mantidos atrás de uma tela.

No experimento, mosquitos foram expostos a um saco de sangue aquecido fora de alcance. Inicialmente evitavam o cheiro do DEET, mas após repetidas combinações, mais de 60% passou a picar ao sentir apenas o odor.

Os pesquisadores repetiram o teste com diferentes estímulos de reforço, incluindo apresentar uma mão coberta com DEET. Em outra etapa, treinaram os insetos para associar o odor a uma guloseima açucarada, resultando em reação positiva ao odor.

Conduzido pelo laboratório da Universidade de Tours, na França, o estudo envolveu a participação de pesquisadores de universidades na França e na Argentina. Os resultados indicam que o efeito ocorre quando o mosquito já teve contato com o repelente horas antes.

Os autores destacam que o DEET continua funcionando como ferramenta de prevenção. A pesquisa alerta apenas para a possibilidade de alergias ou situações em que a concentração já não repele, mas ainda permite detecção do odor pelo inseto.

A equipe explica que a atração pode derivar de uma ligação entre o cheiro do DEET e compostos naturais presentes em plantas, que eventualmente influenciam a decisão de picar. O estudo ressalta a necessidade de compreender melhor esse comportamento.

Segundo os cientistas, entender essa dinâmica é essencial para futuras estratégias de controle de mosquitos. O DEET permanece como opção eficaz, especialmente quando utilizado de forma adequada e contínua.

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