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Pesquisa da USP mostra benefícios das plantas comestíveis nas cidades

Estudo na USP aponta que plantas comestíveis em áreas urbanas melhoram microclima e ampliam o acesso à alimentação, fortalecendo a resiliência climática

Pé de pêra urbano. — Foto: Getty Images
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  • Pesquisa da Universidade de São Paulo aponta que o forrageamento urbano — cultivar e coletar plantas comestíveis em áreas urbanas — pode melhorar o microclima e ampliar o acesso à alimentação.
  • O estudo, realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, envolveu três etapas, incluindo uma revisão de artigos e uma pesquisa com mais de 300 moradores de São Paulo, que mostrou que mais de sessenta por cento já coletaram plantas em espaços urbanos e cerca de trinta por cento o fizeram para alimentação.
  • Foi observada relação entre renda e acesso à alimentação, com o forrageamento oferecendo complemento alimentar relevante para famílias de menor renda; o conhecimento sobre plantas comestíveis tende a ficar com pessoas mais velhas.
  • Também foram realizadas entrevistas com gestores públicos para entender a dimensão do tema em políticas urbanas e ambientais, além de projetos de arborização desenvolvidos por estudantes da Esalq.
  • A conclusão é que árvores frutíferas e plantas comestíveis podem reduzir a distância entre alimento e consumidor, estimular convivência comunitária e ajudar as cidades a se adaptarem às mudanças climáticas.

A USP apresenta uma pesquisa que aponta benefícios da integração de plantas comestíveis à arborização urbana. O estudo, realizado na Esalq em Piracicaba, analisa como o forrageamento urbano pode melhorar o microclima das cidades e ampliar o acesso à alimentação. A iniciativa envolve árvores e plantas alimentícias no espaço urbano.

Conduzido pelo engenheiro florestal Eduardo Ribas, sob orientação de Demóstenes Ferreira Silva Filho, o trabalho aponta que o forrageamento é tema emergente na ciência, com potencial para aumentar a resiliência climática. A equipe realizou três etapas metodológicas distintas.

Como foi o estudo

A primeira etapa foi uma revisão sistemática de artigos publicados em inglês sobre o tema, apontando crescimento do interesse acadêmico nos últimos anos, mesmo com um corpo de pesquisas ainda reduzido. A segunda etapa survey com mais de 300 moradores de São Paulo.

Mais de 60% dos entrevistados já coletaram plantas em espaços urbanos; cerca de 30% o fizeram com finalidade alimentar. Ribas destaca que a prática pode contribuir para a segurança alimentar, especialmente entre famílias de menor renda.

A terceira etapa avaliou a percepção de gestores públicos em diferentes esferas de governo. Entrevistas buscaram entender se o forrageamento já dialoga com políticas urbanas ou ambientais. O estudo também conversa com iniciativas de ensino e extensão universitária.

Perspectiva prática e educativa

Na disciplina de Silvicultura Urbana da Esalq, alunos desenvolvem planos de plantio para cidades distintas, avaliando o potencial de arborização e propondo projetos de sombra e microclima. O foco atual inclui Águas de São Pedro, após trabalhos em Tietê e Nova Odessa.

Os planos elaborados pelos estudantes partem de inventários de árvores existentes e de áreas passíveis de arborização. A ideia é que as propostas sirvam de base para políticas públicas e ampliem o conceito de arborização com forrageamento.

Além dos ganhos climáticos, árvores frutíferas podem favorecer a alimentação local, reduzindo custos logísticos e fortalecendo o vínculo da comunidade com o ambiente urbano. Ribas reforça que aproximar alimento do consumidor beneficia a convivência e a adaptação climática das cidades.

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