- Homem de 53 anos, clinicamente morto, recebeu dois rins e um fígado inteiro de porco geneticamente modificado, em procedimento inédito.
- Órgãos ficaram funcionando por quase cinco dias, com consentimento da família; nas primeiras 24 horas não houve sinais de rejeição.
- Porco foi geneticamente modificado em seis partes: três genes humanos adicionados para reduzir coagulação e três genes suínos removidos para tentar evitar rejeição.
- Aos 19 horas, o fígado de porco começou a secretar bile e os níveis de creatinina e ureia dos rins voltaram ao normal, indicando funcionamento.
- A partir de 36 horas surgiram sinais precoces de rejeição, com substituição de células de porco por humanas no fígado e áreas de necrose; hipótese envolve a célula imunológica S100A12+.
Um homem de 53 anos, clinicamente morto, recebeu dois rins e um fígado inteiros de porco geneticamente modificado. A operação foi inédita por envolver múltiplos órgãos de porco ao mesmo tempo e usar órgãos com menor risco de rejeição.
Os rins e o fígado do porco foram mantidos em funcionamento por quase cinco dias, com consentimento da família. Nas primeiras 24 horas, não houve sinais de rejeição pelo organismo do paciente.
Antes da cirurgia, o genoma suíno passou por modificações em seis regiões, incluindo a tríade de genes humanos para reduzir problemas de coagulação e a remoção de três genes suínos para favorecer a aceitação pelo corpo.
O paciente, não identificado pela imprensa, já apresentava necrose do cérebro e doença renal crônica com hemorragia cerebral grave, levando ao óbito. O estudo foi publicado na revista Cell Press.
Ao atingir 19 horas de transplante, o fígado demonstrou funcionamento, secretando bile. Os níveis de creatinina e ureia dos rins retornaram ao normal, indicando boa função inicial dos órgãos.
Entretanto, às 36 horas, surgiram sinais precoces de rejeição, com substituição gradual das células por humanas no fígado e áreas de necrose tecidual e coagulação no fígado suíno. A equipe investiga as causas.
Transplantes xenográficos envolvem a transferência de órgãos entre espécies. A maioria dos casos anteriores com porcos envolveu apenas um órgão, por cautela médica e complexidade cirúrgica.
Pesquisadores destacam que xenotransplantes multiórgãos são mais desafiadores, exigindo planejamento prolongado. Ensaios clínicos em outros países seguem explorando rins de porco e outros órgãos para ampliar o pool de doadores.
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