- Bahia receberá R$ 87,2 milhões do Fundo Clima, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para restauração florestal de 1,3 mil hectares,plantando mais de 2 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica.
- o projeto visa gerar cerca de 500 mil créditos de carbono ao longo de 40 anos, com preço esperado entre US$ 50 e US$ 95 por crédito.
- as empresas Biomas e Carbon2Nature Brasil implementam o projeto, que já tinha investimento próprio e envolve acionistas como Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale; Neoenergia/Iberdrola participam via Carbon2Nature.
- as plantações ocorrem em áreas da Veracel Celulose, o que facilita a regularização fundiária e evita entraves comuns.
- já está em curso o engajamento das oito cidades da região e das 14 comunidades locais, com foco em bem‑estar, geração de renda e infraestrutura, além de uso de espécies nativas e estratégias de conectividade ecológica para conservação.
Dois milhões de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica serão plantadas em 1,3 mil hectares na Bahia, em um projeto de restauração florestal financiado pelo Fundo Clima. O recurso de R$ 87,2 milhões é gerido pelo BNDES, com aporte do Ministério do Meio Ambiente.
A iniciativa é liderada pela Biomas e pela Carbon2Nature Brasil, empresas criadas para atuação em restauração ecológica e no mercado de créditos de carbono. A Biomas reúne sócios como Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale; a Carbon2Nature Brasil é uma joint venture entre Neoenergia (Iberdrola) e Carbon2Nature.
Eduardo Capelastegui, presidente da Neoenergia, aponta que o projeto busca grandes compradores de créditos de carbono, principalmente do setor de tecnologia e data centers, com interesse em créditos voluntários de alta qualidade. O financiamento substitui a maior parte do aporte inicial de R$ 55 milhões.
O plantio ocorre em áreas da Veracel Celulose, o que facilita a implementação, sem entraves de regularização fundiária. Os recursos também devem manter o projeto até 2029, quando a geração de receita começa. Até então, os acionistas investiram R$ 15 milhões.
Viés social e biodiversidade
O Muçununga envolve oito cidades baianas e participação de 14 comunidades locais, com ações voltadas a bem-estar, renda e infraestrutura. O objetivo é evitar incêndios e invasões, mantendo a floresta em pé. A participação comunitária também tende a elevar a qualidade dos créditos de carbono.
Mais de 100 espécies nativas foram mapeadas para o plantio, usando a estratégia de *stepping stones* para criar corredores biológicos. A meta é favorecer espécies ameaçadas, como o macaco-prego-do-peito-amarelo e o pau-brasil, fortalecendo conectividade ecológica na região.
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