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Vale, Suzano e Basf se unem em nova corrida pela biodiversidade

Rede Brasileira de Reservas Privadas reúne doze organizações para proteger biomas, facilitar cooperação e ampliar áreas protegidas no Brasil

Legado das Águas, do grupo Votorantim: a maior reserva privada de Mata Atlântica do país
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  • Vale, Suzano e Basf criaram a Rede Brasileira de Reservas Privadas (RBRP), ligando áreas privadas de conservação em diferentes biomas para fortalecer políticas e acelerar projetos.
  • A iniciativa é inédita no Brasil e surgiu em conversas de sustentabilidade durante o Climate Week, em Nova York, em setembro de 2022.
  • O grupo reúne doze empresas e entidades, com reservas em Mata Atlântica, Cerrado, Pampa, Pantanal e Amazônia, incluindo o Legado das Águas (31 mil hectares) e a Reserva Caruara no Rio de Janeiro.
  • A rede funciona com uma estrutura colaborativa (plena, secretaria executiva, comitês temáticos e conselho consultivo) e busca seguir ampliando a participação de novos integrantes.
  • O movimento ocorre num contexto de pressão internacional pela proteção da biodiversidade e metas de 2030, como as definidas no Marco Kunming-Montreal, com foco em ampliar áreas protegidas no país via ações público-privadas.

Grandes empresas brasileiras anunciaram a formação da Rede Brasileira de Reservas Privadas (RBRP), uma articulação inédita entre empresas e organizações dedicadas à conservação de áreas naturais em vários biomas do país. Vale, Suzano e Basf integram o grupo, que reúne 12 instituições responsáveis por reservas privadas.

A RBRP busca potencializar políticas públicas, compartilhar conhecimento técnico e acelerar projetos de proteção ambiental. A iniciativa envolve áreas como Mata Atlântica, Cerrado, Pampa, Pantanal e Amazônia, com exemplos como Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica.

A origem da rede remonta a debates ocorridos durante o Climate Week, em Nova York, em setembro de 2022, paralelo à Assembleia-Geral da ONU. Executivos de sustentabilidade identificaram a oportunidade de unir esforços já existentes em reservas privadas.

Objetivos e composição

A rede pretende fortalecer políticas públicas de proteção, promover intercâmbio de experiências e apoiar pesquisas científicas. Participam empresas de cimento, mineração, papel e celulose e química, além de fundações e organizações de conservação.

Entre as áreas associadas estão a Reserva Caruara no Rio de Janeiro, abrigo do maior fragmento de restinga em área privada do Brasil, e 27 mil hectares na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. O Legado das Águas reúne 31 mil hectares no Vale do Ribeira, SP.

Estrutura e desafios

A governança da RBRP envolve plenária, secretaria executiva, comitês temáticos e conselho consultivo. A proposta é transformar projetos isolados em uma agenda regional com impacto ampliado, porém o financiamento de longo prazo ainda é um desafio para muitos integrantes.

Especialistas destacam que o Brasil já possui know-how em conservação, mas precisa ampliar mecanismos de financiamento e modelos econômicos mais sólidos. Pesquisas do Cebds apontam avanço na integração da sustentabilidade aos negócios, porém com desafios de implementação.

Contexto internacional

A iniciativa ocorre em sintonia com o Marco Kunming-Montreal, meta da Convenção sobre Diversidade Biológica para 2030 e 2050, que prevê proteção de ao menos 30% de áreas terrestres e marinhas. O Brasil mantém mais de 2,6 milhões de km² protegidos, mas ampliações são necessárias para cumprir metas globais.

Ações privadas ganham relevância para ampliar áreas protegidas e apoiar restauração. A colaboração entre setor privado, governo e sociedade civil é apontada como essencial para acelerar projetos em larga escala, segundo especialistas.

Perspectivas

A Rede Brasileira de Reservas Privadas pretende aumentar a adesão de outras organizações e ampliar o intercâmbio técnico entre membros. A expectativa é fortalecer políticas públicas, estimular estudos científicos e ampliar a proteção de biomas brasileiros, sem prejuízo de atividades econômicas locais.

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