- Estudo da The Conversation aponta que, entre cerca de três bilhões de pessoas estudadas, quase seiscentos milhões enfrentam níveis graves de pobreza sistêmica de refrigeração, especialmente no sul da Ásia, África Subsaariana e outros países em desenvolvimento.
- No Rio de Janeiro, comunidades como Vidigal ilustram a “ilha de calor”: telhados de metal, falta de espaços públicos frescos e pouca rede de transporte, aumentando a vulnerabilidade ao calor extremo.
- Acesso a ar-condicionado é desigual e o consumo de energia pode elevar bastante as contas de luz, sobrecarregar redes elétricas e piorar impactos climáticos de longo prazo.
- O calor perigoso depende de fatores como infraestrutura física e social, acesso a água potável, ventilação de moradias, idade, saúde, renda e discriminação de gênero e raça.
- A resposta envolve justiça térmica: planejamento urbano, saúde pública, habitação e leis trabalhistas para ampliar água, árvores, moradias mais bem ventiladas e combater desigualdades, com participação das comunidades afetadas.
Entre as 3 bilhões de pessoas representadas pela amostra, quase 600 milhões vivem com níveis graves de pobreza sistêmica de refrigeração. O estudo aponta que desigualdades urbanas, moradias precárias e falta de infraestrutura elevam o risco com altas temperaturas.
No Rio de Janeiro, moradores de Vidigal e de bairros periféricos convivem com ilhas de calor. Telhados de metal, falta de parques e ausência de redes formais de transporte agravam o sofrimento durante ondas de calor.
O estudo, publicado pela The Conversation, abrange 28 países, com maior impacto na região do sul da Ásia e na África Subsaariana. Mesmo diante de contextos parecidos de calor, a infraestrutura define a intensidade do problema.
A pesquisa reforça que o acesso a ar-condicionado é desigual tanto entre países quanto dentro deles, tornando a solução tecnológica inadequada se não houver melhorias estruturais. O consumo de energia também aumenta contas de luz e pressiona redes elétricas.
Durante o levantamento desde 2020, foram entrevistadas 80 pessoas em subúrbios de baixa renda e favelas do Rio. Dezenove mantiveram diários online para registrar o cotidiano sob calor extremo, incluindo fotos, desenhos e notas de voz.
Para famílias com deficiência, idosos e pessoas trans, o calor traz dificuldades adicionais. Banhos frios, deslocamentos restritos e serviços públicos inadequados agravam a vulnerabilidade, diante de barreiras de acesso a água potável e espaços de sombra.
Justiça térmica
Reformular a pobreza de refrigeração implica ações conjuntas entre planejamento urbano, saúde pública, habitação e regulamentação trabalhista. Ampliar água potável, requalificar edifícios, criar áreas sombreadas e combater discriminações são passos essenciais.
As soluções devem envolver as pessoas mais afetadas no desenho das políticas. Suas experiências ajudam a mapear impactos reais do calor e indicar caminhos práticos para reduzir a exposição e aumentar a resiliência.
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