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Esponjas de águas profundas sobrevivem na escuridão de formas surpreendentes

Esponjas do fundo do mar dependem de micróbios que usam amônia e matéria orgânica para gerar biomassa, destacando vulnerabilidade a pesca e mineração

A esponja de águas profundas Calyx: simbiose com micróbios é uma parte importante do modo de vida das esponjas marinhas, mas novo estudo mostra que elas e seus parceiros microbianos também usam uma segunda estratégia surpreendente para sobreviver no escuro do fundo do mar.
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  • Estudo publicado na revista Microbiome analisou esponjas do gênero Calyx a oitenta e três metros de profundidade e revelou duas estratégias microbianas para sobreviver no fundo do mar.
  • Cerca de dezesseis por cento dos micróbios parceiros utilizam quimiossíntese, gerando biomassa a partir de amônia e dióxido de carbono dissolvido na água.
  • Os outros oitenta e quatro por cento dos micróbios são heterotróficos, consumindo matéria orgânica para produzir energia e nutrir a esponja, mesmo com pouca comida no ambiente.
  • Micróbios heterotróficos da esponja ajudam a decompor materiais complexos de algas, convertendo-os em nutrientes utilizáveis pela esponja hospedeira.
  • As esponjas formam jardins submarinos que alimentam redes de vida no fundo do oceano, mas enfrentam pressões humanas como pesca de arrasto e mineração em águas profundas.

A pesquisa aponta que esponjas de águas profundas, vivendo a 830 metros de profundidade, sobrevivem em completa escuridão por meio de estratégias metabólicas diversas. O estudo, publicado na revista Microbiome, revela parcerias microbianas que transformam amônia, CO2 e matéria orgânica em biomassa. Esses processos sustentam comunidades do fundo do mar.

Esponjas do gênero Calyx formam ecossistemas complexos, chamados jardins de esponjas, que abrigam inúmeros organismos. Os micróbios vinculados às esponjas utilizam amônia como fonte de energia para quimiossíntese, enquanto outros microrganismos recorrem à heterotrofia para obter carbono de material orgânico.

Metade das parcerias microbianas envolve quimiossíntese com amônia, mas 84% realizam heterotrofismo. Enzimas capazes de degradar compostos de algas complexos permitem que esses micróbios obtenham fonte de energia na ausência de luz, alimentando a esponja hospedeira.

A presença desses micróbios transforma resíduos como amônia, dióxido de carbono e matéria orgânica de difícil digestão em biomassa que sustenta a própria esponja e outros organismos do ecossistema bentônico, como estrelas-do-mar e peixes.

Apesar da importância, os ecossistemas de esponjas enfrentam pressões humanas. Pesca de arrasto em águas profundas destrói jardins submarinos. A mineração de metais raros também ameaça o habitat, com impactos possivelmente de longa duração.

A Organização das Nações Unidas reconhece esses jardins de esponjas como ecossistemas marinhos vulneráveis, o que ressalta a necessidade de proteção e de entender seu papel no ciclo global do carbono antes que haja danos irreversíveis.

Mudanças de tema

  • Sobre o método científico e as descobertas: o estudo avaliou espécies Calyx em profundidade e mapeou as vias metabólicas microbianas envolvidas.
  • Sobre impactos e conservação: as ameaças humanas, especialmente pesca de arrasto e mineração, colocam em risco a continuidade desses ecossistemas.

Quem: a parceria entre esponjas Calyx e seus microrganismos; o estudo envolveu pesquisadores da Universidade de Sydney.

Quando: publicação recente na revista Microbiome.

Onde: águas profundas do oceano, 830 metros de profundidade.

Por quê: para compreender como a vida prospera no escuro e qual é o papel dessas esponjas no ciclo do carbono.

Este resumo incorpora contribuições de Alessandro N. Garritano e Torsten Thomas, da Universidade de Sydney, na Austrália.

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