- Nos primeiros dias, foram vendidas aproximadamente 6,7 milhões de pacotes de figurinhas, totalizando quase 47 milhões de adesivos.
- Estima-se que esses pacotes geraram cerca de 11,7 toneladas de liner, o papel siliconado que envolve a parte colante das figurinhas.
- O liner, ao ser descartado, leva até 100 anos para se decompor no ambiente, devido ao revestimento de silicone.
- A reciclabilidade do liner é limitada: o processo é caro e há poucas iniciativas no país para recebê-lo e tratá-lo.
- Existem ações pontuais, como a da empresa Polpel em Guarulhos, mas a responsabilidade pela destinação recai principalmente sobre o consumidor, com a Dow buscando ampliar a reciclagem na cadeia.
O consumo de figurinhas da Copa pode gerar resíduos com vida útil longa no ambiente. Estudo indireto aponta que, nos primeiros dias de venda, foram geradas cerca de 11,7 toneladas de liner, o material usado para proteger a parte adesiva das figurinhas.
O liner é papel siliconado que envolve cada figurinha. A reciclagem desse material é complexa e cara, com poucas iniciativas no país, o que eleva a probabilidade de virar lixo comum.
Panorama inicial
A divulgação envolve dados de vendas de pacotes de figurinhas e uma comparação com ações de reciclagem realizadas na Copa de 2022. Foram vendidos 6,7 milhões de pacotes na janela analisada, com sete figurinhas cada.
Ao todo, quase 47 milhões de adesivos foram comercializados nesses primeiros dias, gerando uma estimativa de 11,7 toneladas de liner. O volume tende a crescer até o fim do torneio.
Desafios da reciclabilidade
O liner, ao ser descartado, não desaparece rapidamente. A camada de silicone retarda a decomposição, e especialistas estimam que o material possa levar até 100 anos para se decompor, especialmente quando misturado a outros resíduos. A gestão atual dificulta o reaproveitamento.
Quem responde pelo resíduo
Apesar de a cultura do álbum existir há décadas, não há uma cultura consolidada de destinação adequada do resíduo. A Panini comercializa as figurinhas, e o liner envolve o produto; a legislação brasileira deixa dúvidas sobre responsabilidade e destino final.
Alguns projetos independentes existem, como a campanha de coleta de liners promovida pela Polpel, em Guarulhos, que exige envio do material à fábrica para reciclagem. Mesmo assim, a responsabilidade recai majoritariamente sobre o consumidor.
Atuação da indústria e caminhos futuros
A Dow, responsável pela tecnologia de silicone do liner, afirma estar ciente do problema e trabalha com a cadeia para ampliar a reciclabilidade. A empresa declarou parceria com outros agentes para tornar o material mais circulante.
A reportagem consultou a Panini, sem retorno até a publicação. Enquanto isso, especialistas destacam a necessidade de políticas mais claras e soluções que tornem o liner reciclável desde a origem.
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