- Em 2025, o desmatamento na Mata Atlântica atingiu o menor nível já registrado, com queda de 40% nos registros anuais, de 14.366 para 8.658 hectares.
- O avanço é atribuído à governança integrada entre setor público, empresas, academia e sociedade civil, que estabeleceu metas comuns para a restauração.
- No sul da Bahia, ocorreu a primeira comercialização de créditos de carbono oriundos da restauração da vegetação nativa, sinalizando potencial da prática no mercado de soluções baseadas na natureza.
- A restauração produtiva abre caminhos para a bioeconomia, com sistemas agroflorestais e silvipastoris que unem espécies nativas à produção agrícola, elevando serviços ecossistêmicos e reduzindo custos.
- O impulso inclui a silvicultura de espécies nativas, com quinze espécies de alto potencial econômico e o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas, ainda demandando ajustes de rastreabilidade e conexão com compradores.
Em 27 de maio há celebração pelo Dia Nacional da Mata Atlântica, uma das regiões mais ricas em biodiversidade, porém vulnerável à degradação. A recuperação da vegetação nativa surge como estratégia econômica: restauração produtiva que gera renda e oportunidades para produtores.
Dados do Observatório da Restauração apontam queda histórica do desmatamento no bioma em 2025, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 1985, com 8.658 hectares desmatados, queda de 40% frente a 14.366 hectares. A inovação está na governança integrada entre público, empresas, academia e sociedade civil.
Cézar Borges, do Grupo Gestor do Observatório, atribui o avanço a metas compartilhadas para escalar a restauração, garantindo integridade das iniciativas. Em 2023-2024, a recuperação ganhou relevância como parte de soluções baseadas na natureza, com monitoramento estratégico e transparência valorizados pelo Observatório.
Potencial econômico
Recentemente, no sul da Bahia, houve a primeira comercialização privada de créditos de carbono oriundos de restauração de vegetação nativa. A prática vem se estruturar nos últimos anos e pode ampliar a agenda da bioeconomia, ainda sujeita a regulamentação e aperfeiçoamento técnico.
Segundo Borges, o monitoramento e a clareza sobre quem restaura, onde e como são cruciais para a credibilidade dos projetos. Plataformas como o Observatório da Restauração desempenham função central nesse aspecto.
A restauração produtiva abre caminhos para SAFs e sistemas Silvipastoris, que combinam espécies nativas com atividades agropecuárias. Produções como café e cacau em consórcio com espécies nativas elevam serviços ecossistêmicos, melhoram qualidade e reduzem custos.
Paralelamente, cresce a silvicultura de espécies nativas. O Programa de P&D da Silvicultura de Espécies Nativas sinaliza o potencial dessa agenda, com necessidade de ajustes em normas de rastreabilidade e conexão com compradores nacionais e internacionais.
Obstáculos
Apesar dos avanços, a regeneração natural enfrenta gargalos. MapBiomas aponta média anual de 155 mil hectares de florestas jovens nas áreas da Mata Atlântica, reforçando o ritmo de recuperação. Entre 2011 e 2021, mais de 2 milhões de hectares foram regenerados, mas 30% desse ganho foi perdido no mesmo período.
Borges defende incentivos financeiros para tornar permanentes as florestas secundárias, citando pagamento por serviços ambientais e condições especiais de crédito. Tais mecanismos podem ampliar a permanência das áreas.
Ao todo, 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam por restauração, correspondendo a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em todo o Brasil, segundo o Observatório da Restauração.
Os dados disponíveis refletem o esforço nacional pela recuperação e podem embasar políticas públicas e efetiva participação de comunidades locais na restauração. A plataforma é alimentada por dados de coletivos à Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura.
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