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Megaoperação de resgate de ararinhas-azuis levanta dúvidas sobre futuro da espécie

Operação de dezesseis horas retira 69 aves de criadouro para quarentena, mas dúvidas sobre contágio, gestão e destino da ararinha-azul permanecem

Casal de ararinhas-azuis interage na caixa em que foi tansportado, junto com outras 67 da espécie, de criadouro privado em Curaçá (BA) para universidade federal em Petrolina (PE) para evitar contágio com circovírus
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  • Megaoperação de 16 horas envolveu 40 pessoas e retirou 69 ararinhas-azuis de um criadouro em Curaçá (BA) para um centro de quarentena na Univasf, em Petrolina (PE), para isolamento contra circovírus.
  • A ararinha-azul é espécie endêmica da caatinga e foi considerada extinta na natureza desde 2000; a transferência visa evitar a disseminação do vírus entre os animais.
  • A ação contou com ICMBio, Polícia Federal, Inema e Cemafauna, incluindo veterinários, tratadores e peritos; as aves passaram por checagens de microchip, exames e fichas de avaliação.
  • Pelo menos quatro aves contaminadas foram encontradas no mesmo recinto de outras negativas, ressaltando o risco de contágio dentro do criadouro; o circovírus é altamente contagioso entre psitacídeos e não tem cura.
  • O incidente gerou críticas sobre biossegurança do criadouro e levou a PF a investigar a origem do vírus; o ICMBio busca parceiros para manter o programa de conservação sem disseminar o vírus.

Nos últimos dias, uma operação de resgate coordenada entre ICMBio e a Polícia Federal retirou 69 ararinhas-azuis de um criadouro particular em Curaçá, Bahia. O objetivo foi isolar as aves de um surto de circovírus, protegendo 2 araras maracanãs, durante uma ação que durou 16 horas.

O transporte ocorreu para um centro de quarentena da Univasf, em Petrolina, Pernambuco. A operação contou com 40 profissionais, entre veterinários, peritos criminais e personal de apoio, sob a coordenação da bióloga Cláudia Sacramento, chefe da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio.

A missão foi desencadeada após o criadouro desrespeitar orientações de biossegurança e a PF instaurar investigação sobre o surto. Os animais foram avaliados, microchipados e acondicionados em caixas de transporte com EPIs e sanitizantes, antes de seguir para o centro de quarentena.

Transferência de aves

A saída de Petrolina ocorreu às 2h50; a chegada aos arredores do criadouro foi quase ao amanhecer, com a primeira entrada da PF no local. A operação envolveu ainda o Inema e o Cemafauna da Univasf, além de equipes que participaram da leitura de microchips e do registro individual das aves.

Quatro aves apresentavam contaminação por circovírus no momento dos exames realizados em dezembro, e estavam no mesmo recinto de animais negativos, situação que gerou tensão entre a equipe. O circovírus é altamente contagioso entre psitacídeos, sem cura conhecida.

Biossegurança e controvérsias

O ICMBio destacou a necessidade de afastar o vírus do plantel saudável, sem recomendações de eutanásia. O criadouro alegou cumprimento de protocolos, porém o órgão ressalta que não há como remover a contaminação de aves já infectadas. A transferência ocorre seis meses após a PF investigar o surto no local.

O Criadouro Ararinha-azul indicou que poderá encerrar atividades, solicitando apoio para destinação das 34 aves contaminadas que permanecem sob sua responsabilidade. O ICMBio afirmou buscar parceiros para acolhimento responsável, assegurando qualidade de vida e evitando disseminação do vírus.

Perspectiva para o futuro

As autoridades estudam estratégias para manter as aves sadias sob controle e, posteriormente, retomar o programa de reintrodução na natureza. A prioridade é impedir novos surtos e preservar o conjunto de aves que já não apresentam contaminação, com revisão de parcerias e manejo científico.

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