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Arquipélago em São Paulo vira área de reprodução de tubarões ameaçados

Mangona reproduz em águas brasileiras; Alcatrazes confirma acasalamento e gestação, destacando a função das áreas protegidas na conservação

Tubarão de corpo alongado e coloração cinza-azulada nada em água azul profunda. Outros tubarões aparecem desfocados ao fundo.
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  • O Arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, serviu como local de acasalamento e reprodução do tubarão-mangona, espécie criticamente ameaçada.
  • O estudo, publicado no Journal of Fish Biology, contou com pesquisadores da Unifesp, Unesp e Instituto de Pesca, com apoio da Fapesp e da Petrobras.
  • Registros com BRUVs mostraram fêmeas grávidas no inverno e outra com marcas de acasalamento no verão, indicando ciclo reprodutivo completo em águas brasileiras.
  • As observações foram feitas entre 2022 e 2025, em 38 pontos do arquipélago, com 315 sessões de gravação em profundidades de 2 a 50 metros.
  • A pesquisa reforça a importância de áreas protegidas marinhas para a conservação dos mangonas e identifica o arquipélago como parte de corredores ecológicos junto a outras áreas protegidas.

O tubarão-mangona, espécie criticamente ameaçada, encontrou no Arquipélago de Alcatrazes, a 35 quilômetros do litoral de São Sebastião, um espaço para acasalar e se reproduzir. O estudo, realizado por pesquisadores da Unifesp, Unesp-São Vicente e Instituto de Pesca, aponta o Atlântico Sul como palco de seu ciclo reprodutivo, incluindo o verão.

Os pesquisadores registraram uma fêmea com marcas de acasalamento no verão e outra grávida no inverno, reforçando que a espécie realiza todo o ciclo reprodutivo em águas brasileiras. Até então, havia registro de acasalamento na Argentina, Uruguai e sul do Brasil, com gestação ocorrendo em águas quentes da costa sudeste.

Os trabalhos foram divulgados por meio do Journal of Fish Biology, com apoio da Fapesp e da Petrobras. As informações destacam a importância das unidades de conservação marinhas para a proteção do mangona e para a provisão de alimentos às comunidades pesqueiras locais.

As observações ocorreram no Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes, área sob gestão do ICMBio desde 2016. Pesquisadores destacam que esse ecossistema pode servir como corredor ecológico ao lado de áreas próximas, como a laje de Santos e a ilha da Queimada Grande, fortalecendo a conservação da espécie.

A maior parte dos dados foi obtida com BRUVs, sistemas de filmagens subaquáticas com isca. Os equipamentos foram afixados 315 vezes em 38 pontos, entre 2 e 50 metros de profundidade, durante os períodos de inverno e verão de 2022 a 2025, em parceria com o programa Mar de Alcatrazes.

Além dos pesquisadores, mergulhadores voluntários contribuíram com ciência cidadã. Um deles, Guilherme Bertuzo, filma e identifica nove tubarões-mangona em 2024, a profundidades entre 5 e 10 metros, ajudando a mapear a presença da espécie na área.

Com base nas marcas de mordidas entre os machos e as cicatrizações, os autores estimam o momento da cópula e o tempo de gestação. A partir desses indicativos, ficou claro que as fêmeas estão em Alcatrazes para acasalar, não apenas no inverno.

O estudo destaca, ainda, que o mangona tem reprodução altamente especializada, com baixa fecundidade. Em gestação, geralmente nascem dois filhotes grandes, de cerca de 90 cm, após períodos que variam entre 9 e 12 meses, com intervalos de aproximadamente dois anos.

Autoridade de proteção, a área de Alcatrazes foi reconhecida como Área Importante para Tubarões e Raias em 2025 pela IUCN, fortalecendo a relevância de áreas com controle de pesca para a conservação de tubarões costeiros e para a resiliência de ecossistemas marinhos.

Os pesquisadores defendem que o redesenho de estratégias de conservação pode se beneficiar da compreensão da dinâmica espacial e temporal do mangona. O estudo contribui para políticas públicas e ações de manejo que assegurem a continuidade do ciclo reprodutivo da espécie nessas áreas protegidas.

O artigo completo está publicado no Journal of Fish Biology, sob o título Subtropical marine reserve as key habitats for the critically endangered sand tiger shark in the Southwestern Atlantic, e reforça a importância do Arquipélago de Alcatrazes para a conservação da espécie.

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