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Corante citado na Bíblia é encontrado em túmulos romanos

Corante púrpura tíria encontrado em túmulos romanos de York revela luxo e luto infantil de bebês, desafiando visões sobre a morte na Roma antiga

A descoberta oferece informações sobre a importância das crianças na York romana
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  • Descoberta em York, Inglaterra, localiza vestígios do corante púrpura tíria em túmulos romanos de cerca de 1.700 anos, envolvendo dois bebês.
  • O pigmento, associado à realeza, foi encontrado em tecidos finos que envolviam os corpos; o gesso líquido ajudou a preservar as impressões químicas.
  • Os túmulos são do final do século III ou início do século IV d.C.; um bebê estava ao lado de dois adultos em caixão de pedra e o outro em caixão de chumbo.
  • A púrpura tíria era extremamente valorizada no mundo romano, chegando a custar três vezes o preço do ouro; a produção exigia murex esmagados para extrair traços do pigmento.
  • A identificação química foi feita pelo Centro de Excelência em Espectrometria de Massa da Universidade de York, no projeto Seeing the Dead, liderado pela professora Maureen Carroll.

Em York, Inglaterra, arqueólogos e químicos da Universidade de York encontraram vestígios do raro corante púrpura tíria em túmulos romanos de cerca de 1.700 anos. A descoberta ocorreu durante a análise de restos mortais de dois bebês.

Os tecidos finos que envolviam os corpos apresentaram a presença do pigmento, associado à realeza e à aristocracia. Os túmulos, datados do fim do século III ou início do século IV, fazem parte da coleção do York Museums Trust.

Contexto histórico e funerário

O primeiro bebê foi sepultado ao lado de dois adultos em caixão de pedra; o segundo, em caixão de chumbo. O gesso líquido usado na preparação dos corpos preservou impressões químicas do tecido, permitindo a detecção do corante.

A púrpura tíria exigia milhares de moluscos murex para produzir pequenas quantidades, tornando-a o pigmento mais valorizado do Império Romano. O nome remete a Tiro, antiga cidade da Fenícia.

Análise e equipe envolvida

A identificação química foi realizada pelo Centro de Excelência em Espectrometria de Massa da Universidade de York, com as doutoras Jackie Mosely e Jennifer Wakefield. O projeto Seeing the Dead coordena a pesquisadora Maureen Carroll.

Para os historiadores, o achado indica que famílias ricas da York romana tinham acesso a mercadorias caras e exóticas vindas de longe, reforçando o papel do luxo na sociedade da época.

Implicações da descoberta

A pesquisa sugere que, ao contrário de crenças comuns, o luto infantil pode ter tido expressão em algumas comunidades romanas. A presença do corante em bebês revela práticas funerárias que valorizavam rituais de despedida.

Maureen Carroll enfatiza que a descoberta evidencia a importância das crianças na York romana e a aspiração de oferecer uma passagem fúnebre digna, mesmo em circunstâncias trágicas.

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