- Desperdício diário de água no Brasil soma 16,2 milhões de caixas d’água, equivalentes a 39,53% da água tratada, antes de chegar às torneiras.
- Esse volume poderia abastecer cerca de 77 milhões de pessoas. Se as perdas caírem para 25%, o ganho seria suficiente para atender 17,2 milhões de brasileiros em comunidades vulneráveis por dois anos.
- Regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de desperdício, com estados como Alagoas, Roraima, Pará, Maranhão, Acre e Sergipe acima de 55% do volume distribuído.
- Entre os cem municípios mais populosos, apenas 12 cumprem as metas de excelência de perdas, e quatro capitais atingem o teto recomendado: Goiânia, São Paulo, Campo Grande e Teresina.
- A maioria das perdas (60%) é causada por danos reais na rede (vazamentos), enquanto 40% decorre de perdas comerciais (furtos, erros de medição, consumos irregulares); é necessária campanha educativa e maior investimento em eficiência.
O Brasil desperdiça 39,53% da água tratada antes de chegar às torneiras, volume que daria para abastecer cerca de 77 milhões de pessoas. O dado faz parte do Estudo de Perdas de Água 2026, do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.
Segundo o levantamento, o desperdício diário equivale a 16,2 milhões de caixas d’água. Se as perdas caíssem para 25%, meta do governo, o país poderia atender 17,2 milhões de pessoas em comunidades vulneráveis por dois anos, com ganhos estimados de bilhões até 2033.
Geograficamente, as regiões Norte e Nordeste lideram as perdas, com índices acima de 55%. Estados como Alagoas, Roraima, Pará e Maranhão aparecem entre os mais afetados, enquanto estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul apresentam números inferiores a 35%.
Desperdício e causas
A presidente-executiva do Instituto ressalta que 60% do desperdício é devido a perdas reais, ou seja, vazamentos nas tubulações, que vão desde o asfalto até abaixo do pavimento. O restante, 40%, decorre de perdas comerciais, erros de medição e consumo irregular.
Essa diferença entre vazamentos visíveis e ocultos representa problemas de infraestrutura. A água furtada pode comprometer a potabilidade e aumentar tarifas, impactando especialmente comunidades vulneráveis.
A pesquisadora aponta ainda que há falhas históricas no investimento público: maior foco na expansão do abastecimento do que na redução de perdas. O país possui grande disponibilidade hídrica, mas enfrenta secas e eventos climáticos extremados.
Perspectivas e ações
Para reduzir as perdas, é anunciado que campanhas de conscientização devem envolver a comunidade, destacando riscos de contaminação em água furtada e a necessidade de fiscalização. A participação popular é apresentada como componente essencial.
Especialistas defendem aumentar o investimento em eficiência energética e operacional, com foco em infraestrutura de redes, medição precisa e combate a furtos. A meta de reduzir perdas é tratada como adaptação às mudanças climáticas.
O estudo ressalta que, mesmo com desafios, a redução efetiva das perdas pode gerar ganhos significativos, inclusive financeiros, e melhorar o alcance de água tratada a quem mais precisa. As informações são do Instituto Trata Brasil e da GO Associados.
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