- Viticultura no norte do rhône testa vitiforesterie, plantando árvores entre parreirais para enfrentar o aquecimento climático.
- Parcela de Pierre-Jean Villa, com árvores frutíferas desde 2020, incluindo 400 trees, alinhadas a cada 15 filas de syrah; rendimento considerado “adequado” na época de canícula de agosto de 2025.
- Especialista Christian Dupraz aponta que árvores ajudam a limitar danos do calor, oferecem sombra e evapotranspiração; a vinha pode crescer em meio às árvores, reduzindo temperaturas nas folhas e frutos.
- A prática se espalha de Bordeaux ao Languedoc e Champagne; há apoios regionais e um marco legal estabelecido em 2024; estima-se que entre dois e cinco por cento das áreas vitícolas adotem a agrofloresta, em diferente grau.
- O projeto é visto como investimento de longo prazo e herança intergeracional; os Villa destacam a relação com a região e aguardam interesse de vizinhos, com possibilidade de separações vegetais entre terras.
A vitiforesteria avança na França diante de temperaturas cada vez mais extremas. Em Côteaux do nordeste do Rhône, viticultores experimentam plantações de árvores entre as vinhas para proteger e estimular a produção de uvas sob pressão climática.
Na parcelle dedicada, Pierre-Jean Villa mantém um vinhedo de Syrah cercado por árvores frutíferas, como maçãs e peras, além de um pasto com ovelhas. O objetivo é resgatar práticas antigas de diversidade no campo.
Há cerca de uma década, o terreno vizinho, próximo de Condrieu e Côte-Rôtie, ficou abandonado. A reativação ocorreu com a chegada de Hugo Villa, filho de Pierre-Jean, formado pela SupAgro, que propôs a agrofloresta como resposta ao aquecimento global.
O que é feito e quem participa
Desde 2020, 400 árvores frutíferas são cultivadas em alinhamentos entre fileiras de Syrah, com orientação de especialistas do parque regional. Entre espécies plantadas estão pomares de maçã, pêra, pêssego, damasco, nozes e nespereiras.
A prática conta com apoio técnico para definir espécies locais, orientação de sombra e manejo hídrico. O trabalho envolve a família Villa e consultorias agroflorestais, buscando equilíbrio entre vigor da vinha e proteção ambiental.
Impacto e perspectivas
Apenas parcialmente avaliada, a parcelle vitiforestière respondeu bem aos 20 dias de canícula em agosto de 2025, com rendimento considerado adequado. Pesquisadores acreditam que arvores reduzem danos por calor extremo e ajudam na regulação de microclima.
Christian Dupraz, pesquisador da Inrae, destaca que árvores reduzem temperatura de folhas e frutos, ajudam a evitar danos pelo calor extremo e podem sustentar a produção em cenários de verão seco. O especialista lembra também o papel da agrofloresta na proteção contra geadas.
Panorama setorial e próximos passos
Em várias regiões, incluindo Bordeaux, Languedoc e Champagne, plantações de árvores já são adotadas em diferentes intensidades. A associação de agroflorestas aponta uma dinâmica crescente, enquanto entidades setoriais comparam ganhos de curto e longo prazo.
Para alguns, o impulso é menor, condicionado por dificuldades do setor vitivinícola. Mesmo assim, a agrofloresta é vista como opção de adaptação climática, melhoria estética da propriedade e capital geracional para as próximas safras.
Olhar para o futuro
Segundo Vila, a prática pode estimular a interação entre vizinhos e abrir caminho para novas delimitações vegetais entre áreas de cultivo. Há expectativa de que gerações futuras valorizem esse modelo, ainda que o envolvimento inicial exija planejamento cuidadoso.
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