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Espécies invasoras avançam sobre o Lago Paranoá

Espécies invasoras no Lago Paranoá indicam eutrofização e poluição, com remoção em curso pela Caesb e monitoramento permanente

Segundo a Caesb, presença de plantas aquáticas é natural, sem relação com o tratamento de água - (crédito: Carlos Vieira CB/DA Press)
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  • Plantas aquáticas invasoras (aguapé-miúdo, lentilha-d’água e salvínia) avançam no Lago Paranoá, especialmente no Deck Sul, formando um “tapete verde” e sinalizando poluição e eutrofização.
  • A eutrofização envolve acúmulo de nutrientes como fósforo e nitrogênio, potencializando desequilíbrios na água e participação de esgoto clandestino e efluentes de estações de esgoto.
  • O fenômeno não é natural: há desequilíbrio ambiental com espécie invasora sem predadores, o que pode afetar a biodiversidade; o contato direto humano com as plantas não representa risco significativo à saúde.
  • A Caesb informou que, desde o começo de 2026, removeu cerca de 2,5 mil metros cúbicos de plantas aquáticas e continua monitorando e promovendo ações de manejo.
  • Especialistas apontam que fatores como temperatura, oxigenação da água e aporte de nitratos/nitritos ajudam no crescimento; a água parada facilita o acúmulo de poluentes.

O Lago Paranoá, cartão-postal de Brasília, volta a ser tema de attention devido ao crescimento de plantas aquáticas na região do Deck Sul. Aguapé-miúdo, lentilha-d’água e salvínia formam um “tapete” que se estende até as margens do píer, evidenciando um possível indicativo de poluição e de eutrofização. A Caesb informou que monitora o fenômeno e que não há risco imediato para frequentadores.

O acúmulo dessas plantas não ocorreu por ação humana direta. Elas avançaram até o píer, restando apenas uma faixa estreita de água livre ao fundo. Especialistas associam essa situação à eutrofização, processo ligado ao aumento de nutrientes na água, como fósforo e nitrogênio, proveniente de esgoto e efluentes de estações de tratamento.

A eutrofização é apontada como indicador de degradação da qualidade da água. O professor José Francisco Gonçalves Júnior, da UnB, explica que o fenômeno resulta da entrada de resíduos que alimentam o crescimento desordenado de plantas aquáticas, contribuindo para a redução de oxigênio e da biodiversidade no lago.

Eutrofização e impactos

Fabricio Escarlate, do Ceub, classifica as plantas como invasoras e aponta desequilíbrios ambientais. Segundo ele, a ausência de predadores naturais facilita a proliferação e a competição com espécies nativas, agravando a situação. Pesquisas indicam que matéria orgânica, nitratos e nitritos podem influenciar o crescimento, aliado a variações de temperatura e oxigenação da água.

A exposição direta às plantas não representa risco à saúde humana, mas o interesse público está na qualidade da água e nos impactos aos ecossistemas. Especialistas destacam que a presença dessas espécies funciona como alerta sobre condições ambientais do reservatório e a necessidade de manejo ambiental contínuo.

Ações em curso

Desde o início de 2026, a Caesb informou ter removido cerca de 2,5 mil metros cúbicos de plantas aquáticas no lago e manter ações permanentes de monitoramento e manejo. A empresa não confirmou detalhes sobre a frequência dos serviços nem horários específicos para as remoções até o fechamento desta edição.

A Caesb reforça que a presença de plantas aquáticas é um fenômeno natural ligado a condições do ambiente e não está associada a algas ou aos processos de tratamento da água. A instituição afirma que o fluxo de usuários do Lago Paranoá não apresenta riscos, mesmo com o atual acúmulo de vegetação aquática.

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