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Influenciadora relata três AVCs após congelamento de óvulos aos 33 anos

Policitemia vera detectada na UTI eleva risco de trombose; médicos ligam possível contribuição dos hormônios da estimulação ovariana aos AVCs

Gisele Palma agora faz tratamento para controlar a doença — Foto: Reprodução/Instagram
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  • Em outubro, aos 33 anos, Gisele Palma congelou seus óvulos para preservar fertilidade; quinze dias após o procedimento começou a ter dor de cabeça forte, evoluindo para três AVCs ao longo de março.
  • No hospital, foi diagnosticada com policitemia vera, doença da medula óssea que aumenta a produção de hemácias e eleva o risco de trombose; o tratamento pode incluir sangria terapêutica e hidroxiureia.
  • Médicos acreditam que o estímulo hormonal da estimulação ovariana pode ter acelerado a evolução da doença, somando fatores de risco já existentes.
  • Gisele ficou nove dias internada e ainda enfrenta sequelas, especialmente emocionais; fala mais difícil e dificuldades de memória, além de cansaço constante.
  • Atualmente, mantém tratamento com quatro medicamentos (dois deles para uso permanente) e passou a valorizar mais o corpo e o autocuidado.

Gisele Palma, influenciadora digital, teve três AVCs isquêmicos após realizar o congelamento de óvulos aos 33 anos. O caso ocorreu após o procedimento de estimulação ovariana, feito em outubro do ano passado, em clínica de reprodução assistida. A condição médica subjacente, descoberta durante a internação, contribuiu para a sequência de eventos.

Entre 15 dias após o fim do estímulo hormonal, Palma começou a sentir fortes dores de cabeça que evoluíram nos meses seguintes. Em março, caiu no banheiro com face paralisada e braços sem movimentos. O quadro levou a internação e diagnóstico de AVC múltiplo.

A paciente foi submetida a exames que revelaram policitemia vera, doença da medula óssea que aumenta a viscosidade do sangue e eleva o risco de trombose. Médicos explicam que a condição pode associar-se a AVCs, tromboses venosas e arteriais.

Durante a internação, Palma iniciou tratamento para controlar a policitemia vera, incluindo hemotransfusão e medicação para reduzir a produção de células sanguíneas. A equipe médica ressaltou que, se bem controlada, a doença não impede congelamento de óvulos, mas representa fator de risco adicional.

O processo de estimulação ovariana envolve hormônios para produzir mais óvulos do que no ciclo natural. Palma relata que o excesso de hormônios pode ter acelerado a manifestação da doença que já existia, embora não fosse previamente reconhecida.

A recuperação avança com acompanhamento médico intensivo. Palma recebe quatro medicamentos, com dois deles para uso contínuo. Exames de sangue são realizados regularmente para monitorar a resposta ao tratamento e a evolução da doença.

Segundo o hematologista Renato Tavares, a policitemia vera é crônica e pode ter origem em mutações genéticas como JAK2. O especialista explica que a condição eleva a viscosidade sanguínea e aumenta o risco de trombose, infarto e AVC.

Palma afirma que, após o susto, aprendeu a ouvir o corpo e manter autocuidado. Ela descreve sequelas emocionais como o principal desafio, além de dificuldades na fala e na memória. O acompanhamento médico segue para consolidar a recuperação.

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