- Majorana 2 chega com qubits muito mais estáveis, mantendo o estado de cálculo por até sessenta segundos, cerca de mil vezes mais confiável que a geração anterior.
- A Microsoft revisou o cronograma e busca um computador quântico comercialmente escalável até 2029.
- A plataforma Microsoft Discovery, baseada em IA agentic, gerenciou fluxos de fabricação, automatizou medições e revelou correlações em quase duas décadas de dados de pesquisa.
- A mudança de material de supercondutor de alumínio para chumbo foi apontada como principal responsável pela melhoria de confiabilidade; as medições passaram a ser automatizadas e geram mapas 3D das condições dos qubits.
- Discovery já está disponível para clientes corporativos e já é utilizado em biociências, química, materiais, energia e manufatura; a meta de 2029 é otimista e não se compara diretamente com outras abordagens.
A Microsoft apresentou nesta semana o Majorana 2, o segundo chip quântico da linha Majorana, com números que exigem contextualização. O quociente de confiabilidade aumentou 1.000 vezes em relação à geração anterior, e a duração média de vida do qubit subiu para cerca de 20 segundos frente aos microsegundos do padrão da indústria. A empresa afirma ainda ter ajustado o roteiro para chegar a um computador quântico comercialmente utilizável até 2029.
A inovação não fica apenas no hardware. A Microsoft destacou que o Majorana 2 foi desenvolvido com a plataforma de IA agentic AI, chamada Microsoft Discovery, que também ficou disponível para uso geral nesta semana. A combinação entre ferramenta de pesquisa científica e o chip parece ser o foco central do anúncio.
O papel da Microsoft Discovery
A leitura comum é que a IA desenhou o chip, mas a equipe frisa que a mudança mais determinante foi migrar de alumínio para chumbo no material supercondutor, resultado de anos de pesquisa tradicional. O que a Discovery fez foi gerenciar fluxos de fabricação, automatizar medições que demoravam semanas e consolidar dados de quase duas décadas de pesquisa.
Segundo Zulfi Alam, vice-presidente corporativo de quantum, agentes da Discovery resumem o ciclo experimental, permitindo correlacionar informações que ficam além da visão humana. A ideia é reduzir o processo a poucos experimentos direcionados, por meio de simulações.
Avanços no problema de medição
Entre os avanços, a equipe cita a automação das medições de qubits, tarefa que antes levava semanas quando feita manualmente. Um agente especializado opera a automatização, mapeando condições dos qubits em três dimensões e em ritmo que nenhum pesquisador conseguiria alcançar.
Chetan Nayak, líder técnico do programa quântico, ressaltou que a IA agentic já permeou quase tudo na operação, tornando-se parte natural do fluxo de trabalho.
Disponibilidade e aplicações empresariais
A plataforma Microsoft Discovery passa a estar disponível para clientes corporativos, com englobamento de agentes especializados, motor de pesquisa e governança empresarial. Existe também uma versão de aplicativo local em pré-visualização, facilitando o uso por pesquisadores individuais.
O argumento comercial é claro: a mesma pilha de capacidades que acelerou o desenvolvimento do Majorana 2 pode sustentar orgãos de pesquisa intensiva. Em setores como ciência dos materiais, energia e manufatura, já há adesão de empresas.
Perspectivas e cautelas
A Microsoft revisou o calendário quântico, mirando 2029 em vez de 2033, com base no progresso do Majorana 2. A meta é ambiciosa, mas roadmaps quânticos costumam sofrer compressões. A melhoria de 1.000 vezes refere-se aos qubits da Majorana 1, não a benchmarks diretos com outros enfoques.
Nayak enfatiza o avanço anual, mas ressalta que o alcance de utilidade prática até 2029 ainda depende de avanços adicionais. A expectativa é que a trajetória seja avaliada com o tempo, sem prometer resultados definitivos.
Entre na conversa da comunidade