- Fiocruz, Merck e Nortec vão produzir no Brasil a cladribina oral Mavenclad, com transferência de tecnologia, ampliando o acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
- O tratamento é administrado em poucos dias ao longo de dois anos, começando com cinco dias em um mês e cinco dias no mês seguinte, repetindo no segundo ano.
- Cerca de 40 mil brasileiros com esclerose múltipla remitente-recorrente devem se beneficiar; a doença afeta principalmente mulheres entre 20 e 40 anos.
- Estudos mostram redução de lesões neuronais em dois anos e resultados de longo prazo indicam maior capacidade de caminhar e menor necessidade de outras terapias.
- A Paraíba foi o primeiro estado a disponibilizar o medicamento pela rede pública; após o tratamento, mulheres podem engravidar e amamentar sem complicações seis meses após o término do segundo ano.
Uma nova etapa no tratamento da esclerose múltipla chega ao Brasil com a autorização de produção do Mavenclad no país. O medicamento cladribina oral será fabricado localmente, com apoio da Fiocruz, Merck e Nortec Química, aumentando o acesso pelo SUS.
O acordo prevê transferência de tecnologia para a produção nacional, reduzindo a dependência de importações. Mavenclad é indicado para esclerose múltipla remitente-recorrente, a forma mais comum da doença crônica e degenerativa do sistema nervoso central.
A iniciativa beneficia cerca de 40 mil brasileiros com a condição, que apresentam prevalência de aproximadamente 15 casos por 100 mil habitantes. A produção nacional visa facilitar o acesso ao tratamento pela rede pública.
A esclerose múltipla afeta jovens, geralmente entre 20 e 40 anos, com maior frequência entre mulheres. Entre os sintomas, destacam-se alterações de visão, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio e fadiga persistente, entre outros.
A forma de administração do Mavenclad difere de terapias existentes: o medicamento é tomado apenas em dias específicos ao longo de dois anos, dispensando infusões e uso diário em muitos casos. O acompanhamento médico permanece obrigatório.
O Mavenclad já integra a Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde. Estudos apresentados no Congresso Europeu mostraram redução de lesões neuronais após dois anos de uso.
Dados de acompanhamento indicam impactos positivos de longo prazo. Em 11 anos de observação, 90% dos pacientes não dependeram de cadeira de rodas e 81,2% conservaram a capacidade de caminhar sem apoio.
Em Campo de referência na Paraíba, a farmacrilha foi a primeira a disponibilizar o medicamento via rede pública. A médica Maria Isabel Dantas é uma das primeiras pacientes a receber o tratamento localmente, antes dependente de aplicações intravenosas mensais.
Especialistas destacam que, além da comodidade, o uso do Mavenclad pode facilitar a gravidez e a amamentação após o término do segundo ano de tratamento, com orientação médica adequada.
Analistas apontam que a chegada da produção nacional fortalece a indústria farmacêutica local e pode abrir caminho para novas parcerias e futuras inovações no Brasil. O monitoramento de efeitos e eficácia segue prioritário.
Além do efeito clínico, o tratamento também pode impactar o bem-estar psicológico dos pacientes, ao reduzir a necessidade de medicações contínuas por longos períodos. A recomendação é manter hábitos saudáveis e atividade física regular.
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