- A missão MAVEN, primeira a observar a atmosfera de Marte, encerrou após mais de onze anos em órbita; o último sinal foi em seis de dezembro, após passar atrás de Marte.
- A NASA fará teleconferência com a imprensa às 14h de hoje para discutir as conquistas da missão.
- Uma comissão de análise concluiu que a espaçonave não é recuperável e não pode mais cumprir sua missão científica nem de retransmissão de dados.
- A NASA iniciou o processo de descomissionamento e vai arquivar o conjunto completo de dados da missão.
- Ao longo de sua vida, MAVEN expandiu o conhecimento sobre a atmosfera marciana, ventos solares, auroras e erosão atmosférica, resultando em mais de oito centenas de publicações.
Foram encerradas as operações da MAVEN, primeira missão dedicada a observar a atmosfera de Marte e sua evolução, após mais de 11 anos em órbita e uma década além de sua missão original de 1 ano. A última comunicação ocorreu em 6 de dezembro, quando a MAVEN perdeu o sinal ao passar atrás de Marte.
A NASA anunciou que realizará uma teleconferência com a imprensa às 14h de hoje, horário de Washington, para apresentar os resultados da missão. Um conselho de avaliação de anomalias foi instalado em fevereiro para analisar as tentativas de recuperação e o estado provável da sonda. O painel concluiu que a MAVEN não é recuperável e não consegue cumprir sua missão científica nem de retransmissão de dados.
Antes de passar atrás de Marte, os boletins de telemetria indicaram funcionamento normal de todos os subsistemas. Ao emergir, o DSN não detectou sinal. Um fragmento de telemetria mostrou a MAVEN em modo seguro, com rotação muito alta, sugerindo deslocamento orbital. O comitê atribuiu a problemas de rotação ao esgotamento das baterias, levando à perda de energia do sistema de comunicações.
As conclusões iniciais não apontam a causa raiz da anomalia, que segue sendo investigada. O relatório final deve ser divulgado ainda neste ano. A NASA iniciou o processo formal de descomissionamento, com arquivamento completo dos dados científicos para a comunidade de pesquisa.
“Os dados da MAVEN continuam a orientar medidas de proteção contra radiação e segurança antes de futuras missões humanas a Marte”, afirmou Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA. “As informações coletadas manterão relevância por décadas.”
Lançada em novembro de 2013, a MAVEN estudou a exosfera, ionosfera e interações com o Sol, buscando entender a perda de atmosfera marciana para o espaço. Esse conhecimento ajuda a compreender a história climática de Marte, a presença de água líquida e a habitabilidade do planeta.
O programa científico da missão também resultou em avanços significativos, segundo o pesquisador principal Shannon Curry, da Universidade do Colorado Boulder. A equipe ressalta que as descobertas moldaram o entendimento da atmosfera marciana e de sua evolução.
Resultados marcantes da MAVEN incluem a observação de erosão atmosférica durante tempestades solares, o registro de auroras incomuns em Marte e a medição de sputtering atmosférico, que explica a remoção de gases da atmosfera por impacto de íons de alta energia.
Entre as contribuições, a missão apoiou o Network de Retransmissão de Marte da NASA, facilitando a transmissão de dados de rovers para a Terra, além de manter o recorde de maior volume de dados enviados de um planeta em um único dia.
A teleconferência de hoje contará com representantes da NASA, incluindo Tiffany Morgan, Mike Moreau, Greg Heckler e Shannon Curry. Interessados devem confirmar presença até as 12h locais via e-mail para participação por telefone. A política de credenciamento da NASA está disponível online.
A MAVEN operou sob a gestão da Goddard Space Flight Center, com o apoio técnico do Jet Propulsion Laboratory para navegação e do Deep Space Network. A construção ficou a cargo da Lockheed Martin, que continua envolvida nas operações da missão. A missão faz parte do portfólio do Programa de Exploração de Marte da NASA.
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