- Pressões climáticas elevam temperaturas, seca e padrões imprevisíveis, levando a viticultura a considerar o solo como ativo central para a resiliência das parreiras.
- A Organização Internacional da Vinha e do Vinho aponta queda de 9,6% na produção mundial de vinho em 2023, em função de eventos climáticos severos.
- Em Toscana, a Famiglia Casadei utiliza solos ricos em argila (de 35% a 43%) para reter água durante a seca.
- Em Willamette Valley, Oregon, a argila é vista como resposta ao clima, ajudando a estabilizar o crescimento das vinhas em condições extremas.
- Solos calcários e giz oferecem ressurgimento de resfriamento e boa drenagem, enquanto não há solução única; práticas de manejo (matéria orgânica, culturas de cobertura e cultivo reduzido) são cruciais, como em Garden Creek Vineyards, na Califórnia.
O mercado vitivinícola encara pressões climáticas que elevam a importância do solo. Enquanto produtores buscam soluções, a resiliência das vinhas pode depender do que está abaixo das plantas, além do que cresce acima delas. A crise climática intensifica colheitas antecipadas, rendimentos e níveis alcoólicos.
Geólogos e pesquisadores ressaltam o papel ativo do solo no enfrentamento do clima. Carlo Ferretti, da Geo Identity Research, afirma que o solo não é mais apenas suporte, mas sistema que pode amortecer ou amplificar o estresse climático. A leitura é reforçada por dados da OIV: a produção mundial de vinho caiu 9,6% em 2023, em razão de eventos climáticos severos.
Retenção de água é prioridade
Casas de vinho investem em solos que armazenam umidade durante secas longas. Em Toscana, a Famiglia Casadei utiliza solos argilosos, com 35% a 43% de argila, para manter reservas hídricas. O proprietário Stefano Casadei afirma que o papel do solo mudou de debate para estratégia central. Em Willamette Valley, Oregon, a vinícola Evening Land enxerga argila como chave para estabilizar o crescimento das vinhas diante de variações climáticas.
Calcário e giz ajudam a refrescar
Ferretti aponta que solos derivados de calcário oferecem boa drenagem e efeito de resfriamento. Em Sicília, o uso de solos de giz e calcário reduz o excesso de água ao redor das raízes e reflete parte da radiação solar, ajudando a manter a acidez e a maturação mais lenta mesmo com verões mais quentes, segundo o vice-presidente da Sicilia DOC, Giuseppe Bursi.
Não há solução universal
Especialistas alertam que não há um único tipo de solo capaz de resolver todos os desafios climáticos. Regiões com menos chuva podem ter benefício com solos argilosos profundos, já áreas com chuvas intensas podem se beneficiar de solos bem drenados de origem calcarífera ou arenosa. A escolha depende do regime pluviométrico e das condições locais.
Práticas de manejo passam a segundo plano
Além do tipo de solo, práticas de manejo ganham importância. Compostagem, cobertura vegetal e redução da Cultivo ajudam a aumentar a matéria orgânica, a retenção de água e a atividade microbiana. Em Garden Creek Vineyards, California, o co-proprietário Justin Warnelius-Miller destaca que o ecossistema do solo é central. Compostagem e matéria orgânica fortalecem a disponibilidade de nutrientes e a capacidade de retenção de água.
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