- Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná, abriga as etnias Kaingang e Guarani e um dos maiores remanescentes de araucária nativa do mundo.
- A bióloga Ariadne Dall’acqua Ayres investigou a relação entre bem-estar socioeconômico e conservação ambiental a partir das narrativas da comunidade, com foco na sociobiodiversidade.
- Foi identificado um consenso entre diferentes grupos sobre a melhoria econômica por meio de geração de renda, com foco em alternativas já existentes no território.
- Cadeias de valor da erva-mate permitem retorno financeiro com a floresta em pé, oferecendo uma opção sustentável frente ao arrendamento de terras e à venda de madeira.
- O estudo releva práticas degradatórias históricas promovidas pelo Estado durante a ditadura e embasa uma tese de doutorado, com planos de retorno à comunidade e de publicação de memória do território.
A Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná, foi o foco de uma pesquisa conduzida pela bióloga Ariadne Dall’acqua Ayres. O estudo analisa a relação entre bem-estar socioeconômico e conservação ambiental, com base em narrativas da comunidade Kaingang e Guarani.
Entre os achados, destaca-se um consenso entre grupos com visões distintas: o objetivo comum é melhorar a renda e o bem-estar por meio de estratégias sustentáveis. A pesquisadora acompanha projetos que fortalecem cadeias locais de valor.
A chave está na sociobiodiversidade, conceito aplicado pela autora para mapear relações entre natureza, cultura e uso tradicional. Pinho e erva-mate aparecem como pilares da alimentação e da identidade da região, com apoio a iniciativas já existentes.
A pesquisa destaca a possibilidade de retorno financeiro mantendo a floresta em pé, o que reduztraços de derrubada. Essas cadeias de valor podem substituir arrendamentos e venda de madeira, atividades de alto impacto.
Contexto histórico
A pesquisa aponta raízes da degradação na gestão pública, incluindo práticas durante a ditadura militar. Postos militares e ações de arrendamento contribuíram para a degradação sem remuneração aos povos tradicionais.
A abordagem ética incluiu metodologia antropológica, com observação participante e oficinas com jovens das seis aldeias, buscando representatividade social e cultural. Dados foram integrados a mapas de uso da terra via MapBiomas.
O estudo resultou na tese de doutorado Bem-estar socioeconômico e conservação da biodiversidade em uma comunidade indígena paranaense, orientada por docentes da USP e da Unicamp. O trabalho prevê retorno dos resultados à comunidade.
Ariadne planeja apresentar as conclusões no território, além de produzir um livro de memórias do Mangueirinha. A tese ficará disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP após publicação.
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