- O vulcão Methana, na Grécia, ficou mais de cem mil anos sem erupções, mas o magma continua se acumulando em profundezas.
- Estudo publicado na Science Advances usa cristais de zircão para reconstruir 700 mil anos da história do vulcão, mostrando que o maior pico de formação desses cristais ocorreu durante a longa pausa, indicando armazenamento de magma sob a crosta.
- O primeiro ciclo eruptivo de Methana terminou há cerca de 280 mil anos; depois houve uma pausa superior a cem mil anos, e a atividade retornou há aproximadamente 168 mil anos.
- A presença de água no magma, resultante de materiais da subdução, aumenta a produção magmática e torna o magma mais viscoso, gerando o que os pesquisadores chamam de magmas “super-hidratados”.
- A pesquisa sugere que vulcões de zonas de subdução podem permanecer ativos ocultamente por muito tempo, o que reforça a importância de monitoramento geofísico mesmo em sistemas considerados adormecidos.
O vulcão Methana, na Grécia, rompeu o silêncio após mais de 100 mil anos sem erupções. A descoberta mostra que, mesmo com a superfície quieta, grandes volumes de magma se acumulam no interior do complexo vulcânico, localizado a menos de 60 km de Atenas.
Estudo internacional publicado na Science Advances utiliza cristais de zircão para reconstruir 700 mil anos da história de Methana. Os pesquisadores constatam que períodos de aparente inatividade coincidiram com fases intensas de crescimento de reservatórios magmáticos subterrâneos.
A análise aponta que o maior pico de formação de zircões ocorreu durante a longa pausa entre erupções, sugerindo que o magma continuou a se acumular sob o vulcão, em vez de cessar a atividade. O resultado desafia a ideia de vulcões adormecidos como extintos.
Cristais guardam a memória do vulcão
Os cientistas dataram mais de 1.250 cristais ao longo de 700 mil anos. Segundo Olivier Bachmann, o método permite entender a vida interna de Methana com maior precisão. Os dados indicam que o sistema manteve atividade magmática, ainda que sem erupções na superfície.
Papel da água no interior da Terra
Os pesquisadores destacam que a água presente no magma pode aumentar a produção de magma e, ao subir, formar bolhas. O magma saturado em água torna-se mais viscoso, o que pode liquefazer a ascensão e influenciar a cristalização, alterando o comportamento do sistema.
Implicações para o monitoramento de vulcões
O estudo sugere que longos períodos de dormência não equivalem à extinção do risco. Vulcões com história semelhante podem acumular magma e elevar o potencial eruptivo futuro, mesmo sem sinais óbvios. A recomendação é ampliar o monitoramento geofísico.
Relevância global e alerta para políticas públicas
Autores ressaltam a necessidade de reavaliar o nível de ameaça de vulcões inativos há muito tempo. Exemplos comuns são sistemas de arco related a subducção, que podem manter atividade interna por longos intervalos sem erupção na superfície.
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