- Congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) ocorreu em Chicago, de 29 de maio a 2 de junho, reunindo cerca de 35 mil profissionais.
- Novo medicamento para câncer de pâncreas, daraxonrasib, mostrou reduzir o risco de morte em 60% e triplicar a taxa de resposta, com menos efeitos colaterais que quimioterapias.
- Em bexiga, a combinação de imunoterapia com anticorpos conjugados a drogas eliminou sinais da doença em até 60% dos casos avançados.
- Em próstata, avanços com radiofármacos promovem tratamento mais direcionado, com radiação atingindo células tumorais e poupando tecidos saudáveis.
- Pesquisas em terapias celulares, como CAR-T, mostraram progressos em tumores sólidos, acompanhadas de dados sobre biomarcadores para personalizar tratamentos.
O Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica ASCO, o maior encontro da área, reuniu cerca de 35 mil profissionais de saúde em Chicago, entre 29 de maio e 2 de junho. As pesquisas apresentadas sinalizam avanços em terapias para câncer de pâncreas, bexiga e próstata, com foco em tratamentos personalizados. O formato reuniu pesquisadores, médicos e especialistas de diversos países para divulgar resultados de estudos clínicos.
Entre os participantes esteve o médico Fernando Maluf, diretor médico associado da Beneficência Portuguesa de São Paulo e cofundador do Instituto Vencer o Câncer. Em entrevista ao O Globo, ele destacou que a edição traz significativos avanços, com maior compreensão do comportamento tumoral e novas terapias. Maluf ressaltou a evolução rumo a tratamentos mais personalizados.
Novo fármaco para pâncreas pode reduzir mortes
Um estudo apresentado mostrou a droga experimental daraxonrasib, que age sobre a proteína KRAS. Em pacientes que já tinham falhado a quimioterapia, o medicamento reduziu o risco de morte em cerca de 60% e aumentou a taxa de resposta ao tratamento. Os efeitos colaterais também foram menos incidentes que os da terapia padrão, segundo os dados.
A pesquisa elevou expectativas de disponibilidade futura da droga para pacientes com câncer de pâncreas. O tratamento visa aproveitar alterações genéticas presentes em boa parte dos casos da doença para frear o crescimento tumoral. Maluf descreveu a hipótese de acesso em etapas futuras.
Avanços em bexiga e próstata
Resultados de bexiga indicam que a combinação de imunoterapia com anticorpos conjugados a drogas eliminou sinais da doença em até 60% de pacientes com tumores avançados. Em alguns casos, a possibilidade de retirada da bexiga foi discutida, sinalizando mudança no manejo clínico.
Para a próstata, a ênfase ficou nos radiofármacos, que administrados pela circulação atingem células tumorais com menor dano aos tecidos saudáveis. A estratégia representa uma abordagem mais direcionada para o tratamento da doença.
Terapias celulares e biomarcadores
Outra linha de destaque envolve terapias celulares, especialmente CAR-T Cell, com avanços para tumores sólidos. Pesquisas mostram aplicações cada vez mais consistentes além de hematológicos. Dados sobre biomarcadores ajudam a indicar quais tratamentos têm maior probabilidade de funcionar para cada paciente.
Maluf afirmou que o ritmo de progresso em novas drogas é grande, mas o entendimento individualizado do tumor é o aspecto mais promissor. A partir desses achados, a oncologia avança rumo a intervenções mais precisas e personalizadas.
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