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Droga contra câncer de pâncreas é aplaudida em congresso mundial

Daraxonrasib reduz em cerca de 60% o risco de morte e dobra a sobrevida em câncer de pâncreas metastático, em estudo de fase três apresentado na Asco de 2026

Comprimidos espalhados em uma mesa de madeira
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  • Estudo de fase 3 (RASolute 302) mostrou que o daraxonrasib reduziu em cerca de 60% o risco de morte e dobrou a sobrevida global em câncer de pâncreas metastático já tratado, com mediana de 13,2 meses frente a 6,6 meses com quimioterapia.
  • A droga é terapia-alvo oral que bloqueia a proteína RAS, atuando em mutações mais comuns da doença, diferente dos inibidores de KRAS usados hoje.
  • O resultado é visto como histórico e pode abrir uma nova era no tratamento do câncer de pâncreas, que costuma ter poucas opções eficazes.
  • O daraxonrasib está em fase 3; ainda depende de aprovação regulatória (agências como FDA, EMA e Anvisa) e de estudos adicionais para uso em combinações ou em estágios anteriores.
  • Os efeitos adversos levaram à interrupção do tratamento em 1,2% dos pacientes, enquanto a quimioterapia convencional teve interrupção em 11,2%; preço e inclusão no SUS dependem de avaliações de custo-efetividade e negociações futuras.

O daraxonrasib, terapia-alvo oral, mostrou benefícios expressivos em câncer de pâncreas metastático durante a reunião anual da ASCO 2026, em Chicago. O estudo RASolute 302 é de fase 3 e comparou o medicamento à quimioterapia padrão. A preferência foi pela via RAS.

Resultados indicam redução de cerca de 60% no risco de morte e aumento da sobrevida global. A mediana passou de 6,6 meses com quimioterapia para 13,2 meses com daraxonrasib, em pacientes previamente tratados.

O formato terapêutico atua bloqueando a proteína RAS, alterada em mais de 90% dos adenocarcinomas pancreáticos. A droga demonstra atividade contra um conjunto amplo de mutações da família RAS, não apenas KRAS G12C.

Entre os desfechos, houve melhoria na sobrevida livre de progressão (7,3 meses) frente a 3,5 meses. Também houve maior taxa de reduções tumorais e menor interrupção por efeitos adversos. Dados de qualidade de vida ainda não são definitivos.

O estudo reúne pacientes com doença metastática, já tratados, com alterações na via RAS. Pesquisadores ressaltam que esse grupo representa a maior parcela de casos de pâncreas e que os resultados podem mudar o prognóstico.

Especialistas destacam que o daraxonrasib é a primeira terapia direcionada com benefício robusto em fase 3 para esse câncer. O resultado pode embasar pedidos de aprovação regulatória e futura incorporação clínica.

O perfil de segurança foi considerado favorável: apenas 1,2% interromperam o tratamento por eventos adversos, contra 11,2% com a quimioterapia convencional. Ainda não há preço definido nem cronograma de chegada ao Brasil.

Para a comunidade médica, os resultados abrem possibilidade de uso em combinações com quimioterapia e em estágios mais precoces. Pesquisas adicionais devem esclarecer impacto em sintomas e qualidade de vida.

Implicações regulatórias e perspectivas

As próximas etapas envolvem análise pela FDA, EMA e Anvisa. Estudos complementares devem definir o papel do daraxonrasib em linhas de tratamento menos avançadas e em combinações terapêuticas.

Potenciais desdobramentos

Alterações da via RAS também aparecem em tumores de pulmão e colorretal, entre outros. Especialistas avaliam que essa classe de droga pode abrir caminho para novas opções direcionadas, transformando o manejo de diferentes cânceres.

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