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Projeto de corais visa reconstruir recifes diante do aquecimento

Projeto de reprodução de corais em laboratório busca reconstruir recifes ameaçados pelo aquecimento global, com impactos em biodiversidade, pesca e turismo

Projeto mira reconstrução de corais e recifes — Foto: Divulgação
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  • A UFRJ realizou reprodução de corais em laboratório durante o carnaval, a primeira universidade brasileira a fazer esse tipo de cultivo.
  • O projeto é conduzido pelo casal Cristiane e Fabiano Thompson, iniciado no ano passado para ampliar a população de corais e restaurar recifes degradados, especialmente na Região dos Lagos e em Abrolhos, na Bahia.
  • Espécimes de coral-cérebro foram coletados em Arraial do Cabo (Rio de Janeiro). Os corais foram colocados em aquário controlado e, entre quinta e domingo de carnaval, ovos eclodiram, gerando larvas.
  • A ideia é construir um novo recife do zero, em formato de “agricultura dos corais”, com inspirações em projetos semelhantes nos EUA e na Austrália; não substitui a conservação de áreas nem o combate às mudanças climáticas.
  • Em âmbito global, a NOAA aponta que setenta e cinco por cento dos recifes já sofreram estresse térmico, e o IPCC indica que, com aumento de 1,5 °C, entre setenta e noventa por cento dos corais podem desaparecer; além do calor, a poluição também é ameaça relevante.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, durante o último carnaval, a primeira reprodução de corais em laboratório no Brasil. O feito, conduzido pelo Laboratório de Bioeconomia, visa ampliar a população de corais ameaçados e orientar restauração de recifes.

O projeto, liderado pelo casal Cristiane e Fabiano Thompson, começou no ano passado. Em Arraial do Cabo (RJ), pesquisadores coletaram exemplares de coral-cérebro, endêmico ao Brasil, para observação e reprodução em ambiente controlado.

Entre quinta e domingo de folia, ovos dos corais eclodiram, gerando larvas que devem, no futuro, formar novos corais. A iniciativa busca reconstruir recifes degradados, como na Região dos Lagos e em Abrolhos (BA).

Objetivo e contexto global

A proposta é criar um “novo recife do zero” a partir de corais cultivados em laboratório, conforme descrição dos pesquisadores. A ideia se inspira em projetos similares nos EUA e na Austrália, com foco em restauração de ecossistemas marinhos.

Dados internacionais indicam pressão intensa sobre os recifes. A NOAA aponta que cerca de 75% já enfrentaram estresse térmico. O IPCC prevê que, com 1,5 °C de aquecimento, 70% a 90% dos recifes podem desaparecer nas próximas décadas.

Desafios e mensagens técnicas

Além do aquecimento, a poluição — esgoto e derramamentos — também ameaça os recifes, que abrigam cerca de 25% da vida marinha. Especialistas destacam a importância dos corais como berçários para a biodiversidade e para atividades humanas como pesca e turismo.

O pesquisador Fabiano Thompson ressalta que a intervenção não substitui a conservação. A visão é complementar, buscando preservar áreas sensíveis enquanto se combate mudanças climáticas e poluição.

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