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Surto de Ebola na RDC pode ter começado ainda em janeiro, diz chefe da OMS

Organização Mundial da Saúde afirma que surto de ebola na RDC pode ter começado em janeiro, com resposta ganhando ritmo, mesmo diante de restrições de viagem e rastreamento insuficiente

Doctors monitor a patient at an Ebola treatment centre run by Médecins Sans Frontières in Munigi, eastern DRC.
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  • A origem da epidemia de ebola na República Democrática do Congo pode ter sido em janeiro, segundo o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
  • Tedros disse que o vírus teve “um grande impulso inicial” e que a resposta está ganhando ritmo, com centros de tratamento criados na província de Ituri.
  • No total, são 344 casos confirmados no DRC, com 60 mortes, e 15 casos com uma morte em Uganda.
  • Restrição de viagens generalizada dificulta a operação de resposta, além de desconfiança comunitária e traçamento de contatos incompleto.
  • Cerca de 45% dos contatos foram acompanhados; a OMS busca elevar esse índice para acima de 90% e ampliar capacidade laboratorial, já que não há vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o surto de Ebola na República Democrática do Congo pode ter começado já em janeiro, o que teria dado ao vírus uma vantagem inicial. Ele ressaltou que a resposta ainda está se igualando ao desafio.

Segundo Tedros, o progresso é perceptível com a criação de centros de tratamento na província de Ituri, a mais afetada. No entanto, ele apontou entraves como restrições de viagem generalizadas, desconfiança comunitária e a dificuldade de rastreamento de contatos.

O chefe da OMS destacou que as restrições de circulação dificilitam a operação logística e recomendou a suspensão dessas medidas, citando impactos na cadeia de suprimentos e na resposta à epidemia. Países que adotaram tais medidas foram citados como exemplo.

O rastreamento de contatos enfrenta obstáculos de segurança e deslocamento forçado na Ituri, com apenas cerca de 45% dos contatos monitorados. A OMS quer elevar esse índice para acima de 90% para antecipar o avanço do surto.

Na DR Congo, a quantidade de casos suspeitos caiu de mais de 1.000 para 116, após processos de backlog de testes, que precisam ser confirmados ou descartados. A prioridade é ampliar a capacidade laboratorial na região.

A origem do surto ainda gera incerteza: o primeiro caso identificado foi uma enfermeira que buscou atendimento em 24 de abril, porém há cenários alternativos. Tedros reforçou que o foco atual deve ser a resposta.

Não há vacina nem tratamento específico para a cepa Bundibugyo. Ainda assim, a OMS destacou que a recuperação de seis pessoas na DR Congo e de duas no Uganda indica que a doença pode ser controlada com acesso a cuidados médicos adequados.

Esforços e parcerias

O Ministério da Saúde da Uganda informou avanços no controle de casos próximos à fronteira. Em complemento, o Reino Unido anunciou uma rede de pesquisa multirriscos para apoiar aconselhamento rápido e evidências sobre doenças infecciosas emergentes, incluindo o atual surto.

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