- Quase quinhentos mil participantes do UK Biobank foram analisados para entender como psicotrópicos, estilo de vida e genética influenciam o IMC e o risco cardiovascular.
- O uso de psicotrópicos está associado a um aumento discreto do IMC, mais evidente em quem utiliza múltiplos medicamentos psiquiátricos.
- Fatores de estilo de vida, como alimentação pouco equilibrada, baixa atividade física e hábitos de rotina não saudáveis, elevam o risco cardiovascular quando combinados aos psicotrópicos.
- A predisposição genética para IMC elevado aumenta o impacto: maior aumento de IMC, mais doenças cardiovasculares e maior vulnerabilidade ao uso de psicotrópicos, com risco cardiovascular podendo superar três vezes.
- Entre pessoas com diagnóstico psiquiátrico, o uso de psicotrópicos não elevou o risco cardiovascular em relação àquelas que não usavam, destacando a importância do quadro clínico e do contexto de saúde.
O uso de medicamentos psicotrópicos, essenciais no tratamento de transtornos mentais, pode influenciar o organismo além do sistema nervoso. Um estudo publicado na Nature Mental Health analisou como esses fármacos, estilo de vida e genética se relacionam com IMC e risco cardiovascular. A pesquisa envolveu quase 500 mil participantes do UK Biobank.
Os resultados indicam que o uso de psicotrópicos está associado a um aumento discreto do IMC, mais evidente quando há uso de múltiplos fármacos psiquiátricos simultaneamente. O estudo ressalta que fatores de estilo de vida também exercem papel decisivo nesse cenário.
Entre os fatores de estilo de vida destacados estão alimentação desequilibrada, pouca atividade física e hábitos de rotina irregulares. Quando somados ao uso de psicotrópicos, aumentam de forma significativa o risco de doenças cardiovasculares.
Interação entre genética e comportamento
O estudo também avaliou o risco poligênico para IMC elevado, ou seja, a predisposição genética ao ganho de peso. Pessoas com maior predisposição genética, aliados a hábitos ruins, apresentaram maior aumento de IMC e incidência de doenças cardíacas.
Em cenários extremos, o risco cardiovascular foi mais de três vezes maior frente a indivíduos com genética mais favorável e estilo de vida saudável.
Surpresa entre pacientes com diagnóstico psiquiátrico
Entre quem tem diagnóstico psiquiátrico, o uso de psicotrópicos não elevou adicionalmente o risco cardiovascular em relação àqueles que não utilizavam esses medicamentos. O contexto clínico geral também influencia os resultados.
Essa constatação sugere que o estado de saúde global pode ter peso equivalente ao tratamento farmacológico na avaliação do risco cardíaco.
Implicações para a prática clínica
As evidências reforçam a necessidade de entender o quadro completo do paciente, não apenas a medicação. O estudo recomenda monitorar o IMC, promover hábitos saudáveis e considerar a avaliação genética quando disponível, com acompanhamento cardiovascular para grupos de alto risco.
A mensagem central é a integração entre saúde mental e física. Medicamento, genética e estilo de vida atuam em conjunto para moldar o risco metabólico e cardíaco.
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