- Estudo publicado no British Medical Journal sugere que analglicos GLP‑1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, podem reduzir a necessidade de cirurgia de joelho em pacientes com osteoartrite.
- A análise avaliou dados de 6,8 milhões de adultos com osteoartrite de joelho entre 2010 e 2024, observando uso das canetas semanais e procedimentos de artroplastia.
- Mais de 40 mil pessoas usaram as canetas por pelo menos um ano e pouco mais de 30 mil por três anos; a necessidade de cirurgia caiu ao longo do tempo, com redução de cerca de 1,4 ponto percentual após três anos e quase 3 pontos percentuais em oito anos.
- No grupo que recebeu semaglutida ou tirzepatida por três anos, o risco de cirurgia após oito anos foi quase 5 pontos percentuais menor, o que equivaleria a aproximadamente 14.400 cirurgias a menos por ano nos Estados Unidos.
- Ainda não há prova de causalidade; trata‑se de associações observadas, com a hipótese de efeitos anti‑inflamatórios, analgésicos e de proteção da cartilagem, além da perda de peso.
O estudo publicado no British Medical Journal avaliou se o uso de analgros de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, pode reduzir a necessidade de cirurgia de joelho em pessoas com osteoartrite. A pesquisa acompanha pacientes entre 2010 e 2024, buscando entender se o emagrecimento e efeitos metabólicos vão além da perda de peso.
Foram analisados dados de 6,8 milhões de adultos com osteoartrite do joelho. Entre eles, pesquisadores separaram quem utilizou semaglutida (Ozempic e Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro) e quem não usou essas opções. O objetivo foi observar a taxa de artroplastias ao longo do tempo.
A equipe da Escola de Medicina da Universidade de Maryland manteve o recorte populacional e avaliou períodos de 1, 3, 5 e 8 anos após o diagnóstico. Mais de 40 mil pacientes usaram canetas por pelo menos um ano; pouco mais de 30 mil, por três anos.
O que a pesquisa encontrou
Tratados com medicamentos GLP-1, houve menor volume de cirurgias de joelho. Em média, após três anos de tratamento, houve redução de cerca de 1,4 ponto percentual no risco acumulado de artroplastia. Ao longo de oito anos, a diferença subiu para próximas de 3 pontos percentuais.
Entre usuários de semaglutida ou tirzepatida por três anos, o grupo apresentou menor probabilidade de cirurgia após oito anos, em quase 5 pontos percentuais em relação a pacientes semelhantes que não usaram as drogas. Os autores estimam que a redução de 1,44% pode representar cerca de 14.400 cirurgias a menos por ano nos Estados Unidos.
Possíveis mecanismos e limitações
A explicação inicial aponta para o alívio da carga nas articulações com a perda de peso. Além disso, há hipóteses de efeitos anti-inflamatórios, analgésicos e proteção da cartilagem por GLP-1, que poderiam retardar a progressão da osteoartrite.
Entretanto, o estudo observa associações, não causalidade comprovada. Fatores como atividade física, funcionalidade e gravidade da doença não foram totalmente controlados. Por isso, não é possível afirmar que as medicações evitam cirurgias de forma definitiva.
Considerações finais
Os pesquisadores destacam que a saúde metabólica pode ter papel relevante na preservação das articulações, abrindo caminho para novas investigações. A aplicação clínica ainda requer confirmação por estudos adicionais e avaliação de riscos individuais dos pacientes.
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