- Milhões usam dispositivos vestíveis para monitorar saúde e exercício, mas, para alguns, eles aumentam a ansiedade em relação ao bem-estar.
- Leituras dos wearables, como frequência cardíaca, podem gerar erro de previsão quando não batem com as expectativas, elevando a preocupação.
- Pessoas propensas à ansiedade costumam prestar muita atenção aos sinais do corpo, o que pode intensificar a ansiedade com leituras inesperadas.
- Pesquisas durante a pandemia de COVID-19 mostraram relação bidirecional entre ansiedade e atenção aos sinais corporais; monitoramento pode ampliar esse ciclo.
- Recomenda-se moderação: se o monitor estiver elevando a preocupação, desligar por um dia ou ocultar dados para sentir o corpo sem feedback constante.
O uso de dispositivos vestíveis para monitorar saúde tem impacto diverso. Enquanto alguns pacientes ganham tranquilidade, outros relatam aumento da ansiedade com leituras. O tema ganhou destaque após relatos de usuários durante eventos e pesquisas científicas.
Relatórios sugerem que a leitura de leituras corporais pode gerar “erro de previsão” no cérebro, levando pessoas a interpretar sinais como indicativos de problemas. Esse ciclo pode aumentar a preocupação entre indivíduos já propensos à ansiedade.
Profissionais destacam que a relação entre monitoramento e bem-estar não é uniforme. Em alguns casos, o monitoramento reduz a ansiedade; em outros, amplifica o desconforto e a percepção de risco.
O que os estudos dizem
Durante a pandemia de COVID-19, pesquisadores observaram que quem já apresentava maior ansiedade tendia a monitorar mais o corpo por meio de medidas objetivas, elevando o nível de hiperfoco sobre sinais internos.
Dados sobre fibrilação atrial mostram associação entre monitores de frequência cardíaca e verificações mais frequentes de sintomas, com aumento da ansiedade relatada pelos usuários.
Em uma pesquisa com aproximadamente 500 usuários de smartwatches, relatos de ansiedade aumentavam quando os dados fisiológicos pareciam anormais, reforçando o efeito variado entre indivíduos.
Desdobramentos e escolhas individuais
Há relatos de usuários dependentes do monitor, frustrados quando não podem usar o dispositivo ou esquecem de fazê-lo. Muitos reconhecem o efeito e consideram abandonar o uso.
Em contrapartida, para outros, o vestível oferece tranquilidade ao detectar alterações de forma precoce, contribuindo para a gestão de condições específicas de saúde.
Como reduzir impactos negativos
Especialistas sugerem moderação no uso, pausas no feedback constante e avaliação do bem-estar geral. Desligar ou esconder dados por um dia pode ajudar a avaliar como o corpo se comporta sem o monitor.
Pessoas com ansiedade definem estratégias diferentes para lidar com a leitura de dados. A terapia pode reduzir a hipervigilância e o ciclo de preocupação, segundo pesquisas relacionadas.
Considerações finais
A relação entre dispositivos vestíveis, ansiedade e saúde é complexa e ainda em estudo. Pesquisas indicam um efeito bidirecional, com mais atenção aos sinais corporais aumentando a ansiedade e vice-versa.
A North American Journal of Medicine e estudos sobre interocepção destacam a necessidade de orientação clínica ao usar tecnologias de monitoramento contínuo, especialmente para grupos vulneráveis.
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