- A FAO aponta que a oferta global de carne subiu de 25 kg por pessoa em 1961 para 47 kg em 2022, com o frango saltando de menos de três kg para 17 kg e o porco chegando a 15 kg; a carne bovina ficou estável em 9 kg.
- A demanda por proteína animal deve continuar crescendo, e a agricultura é o segundo setor mais poluente, com emissão prevista de alta de 7,6% na próxima década; a pecuária responderia por cerca de 80% desse aumento.
- No Brasil, o setor responde por aproximadamente 74% a 76% das emissões nacionais, tornando-se ao mesmo tempo o maior desafio climático e uma grande oportunidade de descarbonização.
- O IPCC já indicou que reduzir o consumo de carne é uma das ações mais eficazes para combater a crise climática, mas a FAO não adota essa recomendação, gerando críticas da comunidade científica.
- A distribuição do aumento no consumo de carne é desigual: países de baixa e média renda têm acesso mais restrito e preços mais altos; estima-se que 14% da carne e do leite produzidos globalmente se perdem ou desperdiçam.
O consumo global de carne cresce em ritmo acelerado. Um relatório da FAO aponta que a oferta mundial de carne praticamente dobrou em 60 anos e que o frango é a proteína que mais se expandiu, puxando o aumento. Em 1961, a per capita de aves era inferior a 3 kg; em 2022, atingiu 17 kg.
Entre 1961 e 2022, a carne suína dobrou, chegando a 15 kg por pessoa, enquanto a carne bovina estabilizou em 9 kg. O conjunto da oferta mundial saltou de 25 kg para 47 kg por pessoa, sinalizando uma transformação nos hábitos alimentares globais.
O estudo indica que a produção de proteína animal deve crescer ainda mais, acompanhando a demanda. A FAO adverte que a agricultura permanece como o segundo setor mais poluente da economia, com emissões previstas em alta de 7,6% na próxima década.
A pecuária responderia por cerca de 80% desse incremento, contribuindo para impactos na biodiversidade e para parte significativa das emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, o setor representa aproximadamente 74% a 76% das emissões nacionais, elevando seu peso no debate climático.
Segundo o relatório, cerca de 14% da carne e do leite produzidos mundialmente é perdido ou desperdiçado ao longo da cadeia produtiva. No Brasil, essa perda seria suficiente para alimentar parte da população que enfrenta fome.
O IPCC já apontou a redução do consumo de carne como uma ação eficaz para enfrentar a crise climática. A FAO, porém, não endossa explicitamente esse caminho, o que gerou críticas da comunidade científica quanto às recomendações para países de diferentes rendas.
Daniela Battaglia, representante da FAO, ressalta que a distribuição do crescimento do consumo é desigual entre regiões. Países de alta renda exibem consumo elevado; nações de baixa renda enfrentam limitações de acesso e preço.
A organização também informou que outro relatório ambiental específico para a pecuária deve sair ainda neste ano, oferecendo novas perspectivas sobre sustentabilidade no setor. The postagens reforçam o debate sobre a relação entre alimentação e clima.
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