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Dieta infantil rica em açúcar pode afetar o cérebro a longo prazo

Dieta infantil rica em açúcar e ultraprocessados pode reprogramar o hipotálamo, elevando o risco de obesidade na vida adulta, mesmo após recuperação de peso

Açúcar na infância altera o cérebro a longo prazo. (Foto: Pixelshot via Canva)
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  • Estudo da University College Cork (UCC) em parceria com APC Microbiome aponta que dietas ricas em açúcar, gordura e ultraprocessados na infância podem deixar marcas duradouras no cérebro, influenciando fome e apetite na vida adulta.
  • Foco no hipotálamo, região cerebral que controla o apetite, fome e equilíbrio energético, com alterações que persistem mesmo após recuperação de peso.
  • Exposição precoce a dietas pobres em nutrientes pode elevar o risco de obesidade futura, devido a desregulação do controle alimentar ao longo da vida.
  • O microbioma intestinal aparece como fator modulador: uso da bactéria benéfica Bifidobacterium longum APC1472 e prebióticos (FOS e GOS) ajudaram a reduzir parte dos efeitos negativos.
  • O estudo reforça o eixo microbiota-intestino-cérebro, sugerindo que intervenções nutricionais podem atenuar impactos cerebrais e melhorar o comportamento alimentar desde a infância.

Embora a alimentação infantil seja associada a ganho de peso, novas evidências indicam impacto duradouro no cérebro e no comportamento alimentar. Pesquisadores da University College Cork (UCC) e do APC Microbiome analisaram dietas ricas em açúcar, gordura e ultraprocessados na infância.

O estudo, publicado na Nature Communications, mostra que alterações neurológicas ocorrem mesmo com recuperação do peso. O cérebro pode manter padrões de fome e apetite desvinculados do estado corporal atual.

A pesquisa foca no hipotálamo, região envolvida no controle do apetite e no equilíbrio energético. Os autores relatam que a infância ganha influência persistente sobre escolhas alimentares ao longo da vida adulta.

O que mudou no dia a dia das crianças

Crianças expostas a açúcar refinado, gorduras saturadas e ultraprocessados em festas, escola e atividades esportivas tendem a desenvolver preferências por alimentos altamente palatáveis. Esse traço pode persistir na idade adulta.

No estudo, o microbioma intestinal surge como fator modulador. Foram testadas a bactéria Bifidobacterium longum APC1472 e prebióticos como FOS e GOS encontrados em alho, cebola, banana e aspargos.

Microbioma como possível intervenção

Resultados apontam que o probiótico atua mais especificamente no equilíbrio intestinal, enquanto prebióticos promovem mudanças mais amplas na microbiota. A partir disso, surgem caminhos para reduzir efeitos cerebrais negativos.

O eixo microbiota-intestino-cérebro é destacado como via de comunicação que influencia o comportamento alimentar. Intervenções nutricionais podem atenuar impactos observados.

Implicações para saúde infantil

Os pesquisadores ressaltam que a alimentação na infância tem efeito direto no cérebro, porém não é irremediável. A modulação da microbiota pode reduzir alterações no apetite e favorecer padrões alimentares mais equilibrados.

O estudo aponta ainda que intervenções na alimentação e na saúde intestinal podem contribuir para a prevenção de desequilíbrios metabólicos futuros, desde os primeiros anos de vida.

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