- Estudos com pessoas com mais de oitenta anos mostram memória tão boa quanto a de pessoas de cinquenta a sessenta, com áreas do cérebro associadas à memória mais preservadas e conectividade frontal mantida.
- Dois hábitos aparecem com destaque: manter conexão social e praticar atividades físicas; mais de 85% dos superidosos do estudo se exercitam.
- Os superidosos costumam ter equilíbrio melhor entre expectativa de vida e vida com saúde, mantendo atividades como participação em comitês, voluntariado, esportes e viagens.
- A ciência aponta que genética influencia, mas estilo de vida também é importante; não há receita única para se tornar superidoso.
- Sono de qualidade e regularidade observados entre os superidosos; boa qualidade de sono está associada a melhor memória, embora ainda não haja relação de causa e efeito comprovada.
O que são os superidosos? A pesquisadora Emily Rolgaski, da Universidade de Chicago, apresenta um grupo com mais de 80 anos que mantém memória equivalente à de pessoas de 50 a 60 anos. A comparação mostra menor ritmo de atrofia cerebral em relação aos pares mais velhos.
Eles mantêm o cérebro ativo com mantas de proteção cognitiva: maior volume em áreas-chave para memória e conectividade entre regiões frontais. O resultado é uma cognição preservada para a idade, diferente do ritmo típico de envelhecimento.
No estudo apresentado no Brain, em Porto Alegre, a pesquisadora destaca que o envelhecimento pode ocorrer de forma diferente. O grupo se diferencia do ponto de vista biológico e social, não apenas pela idade.
AÇÕES E MODOS DE VIDA
A memória em superidosos permanece mais robusta quando o equilíbrio entre vida longa e saúde é melhor. Muitos participam de atividades como corridas, ioga, natação e viagens, mantendo a vida social ativa e diversificada.
Conexão social aparece como hábito central. Liderar comitês, voluntariar-se ou manter laços próximos com pessoas ao redor são características comuns entre os superidosos. A prática social frequente estimula circuitos cerebrais através das emoções positivas.
Exercícios físicos também se destacam entre as atividades diárias. Em uma coorte de cerca de 500 idosos, mais de 85% dos superidosos se exercitam regularmente, com modalidades diversas e adaptadas às limitações individuais.
Sono e saúde cognitiva
Comparações com grupos de controle mostram que os superidosos costumam dormir e acordar em horários estáveis, com menos interrupções do sono. Embora não se possa afirmar causalidade, a qualidade do sono está ligada à memória e ao funcionamento mental.
Treinar o cérebro é tema de debate entre cientistas. A pesquisadora defende que não existe uma receita única para se tornar um superido, mas que genética e escolhas de vida combinam para influenciar o envelhecimento.
Fatores de risco modificáveis aparecem como caminho para reduzir demências em larga escala. Mesmo sem ser determinante, o estilo de vida ativo e a socialização parecem favorecer um envelhecimento mais saudável.
Cuidados práticos para a população
Entre os hábitos analisados, a combinação de atividade física regular e interação social surge como recomendação prática. Buscar atividades desafiadoras, que tragam prazer, pode contribuir para a saúde cerebral ao longo dos anos.
A pesquisadora ressalta que cada pessoa pode adaptar as práticas a seu ritmo. Manter diálogos significativos e manter o corpo em movimento são estratégias simples com impactos observados em estudos sobre superaging.
Observação: a repórter participou do Brain a convite do evento.
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