- O Monte Everest acumula lixo, equipamentos abandonados e corpos de alpinistas, principalmente nas áreas de acampamento e na “zona da morte” acima de oito mil metros.
- Entre os resíduos estão cilindros de oxigênio, barracas, cordas, embalagens de alimento, latas e roupas, totalizando dezenas de toneladas ao longo das décadas.
- O degelo, o clima extremo e riscos de resgate tornam a retirada desses itens lenta; alguns corpos permanecem na montanha por anos ou décadas.
- Esforços de limpeza incluem regras para que expedições devolvam resíduos, campanhas de remoção e monitoramento de operadoras, com participação de sherpas, autoridades e organizações.
- Desafios futuros envolvem limitar acessos e permissões, ampliar a gestão de resíduos e definir protocolos para lidar com corpos, buscando equilíbrio entre turismo e conservação ambiental.
O Monte Everest, entre Nepal e a Região Autônoma do Tibete, acumula lixo, equipamentos abandonados e corpos de alpinistas ao longo de décadas de escaladas. A popularização do turismo de alta montanha, especialmente a partir dos anos 1990, intensificou expedições comerciais e o acúmulo de detritos em trechos da rota tradicional. O tema ganha atenção de autoridades, cientistas e comunidades locais.
Os resíduos aparecem principalmente nos acampamentos Altos, como Base e Campamento 2, além da chamada zona da morte acima de 8 mil metros. Cilindros de oxigênio vazios, barracas deterioradas, cordas, embalagens de comida desidratada e latas se acumulam no gelo, gerando impacto ambiental e sanitário de longo prazo. O degelo e o clima extremo dificultam a limpeza.
Cilindros de oxigênio vazios, barracas rasgadas e equipamentos quebrados figuram entre os itens mais comuns. Embalagens liofilizadas, garrafas plásticas, refeições desidratadas e roupas inutilizadas também aparecem com frequência em operações de retirada, quando viável. Partes do material aparecem com o tempo devido a tempestades e deslocamento de geleiras.
Especialistas destacam que resíduos liberam microplásticos e substâncias químicas que podem contaminar neve, água de degelo e o solo rochoso. A presença de sanitários improvisados aumenta riscos sanitários para guias, carregadores e comunidades locais que dependem dos rios alimentados pelo Himalaia.
Desafios ambientais
Foram adotadas regras mais rígidas, com depósito financeiro exigido para expedições e a devolução de resíduos. Campanhas anuais de limpeza, envolvendo sherpas e equipes militares, recolhem toneladas de detritos dos acampamentos e trechos críticos da rota. A fiscalização de operadoras também é mais rigorosa.
A logística de retirada até vilarejos é complexa e cara. O clima imprevisível, a altitude e a necessidade de priorizar a segurança das equipes limitam o alcance das ações de limpeza. Em alguns setores, parte do lixo permanece nos lugares altos devido aos riscos da operação.
Corpo de alpinistas na montanha
Ao longo dos anos, dezenas de corpos foram deixados na montanha. Muitos estão em áreas de difícil acesso, em encostas íngremes ou fendas. A remoção envolve riscos extremos: a água no ar é pouco, as temperaturas caem rapidamente e o terreno é acidentado. Resgates ocorrem principalmente em altitudes mais baixas.
Em alguns casos, famílias optam por não solicitar resgates, tratando o local como descanso final. Quando há remoção, equipes treinadas atuam em altitudes menores, onde o risco é menor, porém ainda significativo. A recuperação completa permanece desafiadora.
Desafios futuros
O equilíbrio entre turismo e preservação exige políticas de controle de acesso, limitação de permissões por temporada e planos de gestão de resíduos pelas operadoras. O desenvolvimento regional depende do fluxo de visitantes, exigindo decisões equilibradas.
Também se discute protocolo claro para corpos, com acordos prévios sobre resgates ou permanência dos restos mortais na montanha. A combinação de tecnologia, treinamento e regulamentação pode reduzir acidentes e o número de corpos na montanha.
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