- Pesquisadores identificaram quatro subestados de sono em peixes-zebra, sugerindo similaridade com os estágios do sono humano.
- O estudo acompanhou cento e cinco peixes pelo aquário para observar sono, caça e nado, com uso de um sistema autônomo de microscópio e câmera autodirigida.
- Três subestados ocorrem à noite, somando cerca de dez horas de sono; o mais profundo é caracterizado por olhar fixo e imóvel.
- O segundo subestado, mais leve, aparece conforme a vigília aumenta: os olhos movem-se lateralmente na mesma direção e depois voltam ao centro.
- O terceiro ocorre pela manhã, quando os olhos se voltam para o mesmo lado; o quarto acontece ao longo do dia, com os olhos indo de um lado a outro em intervals curtos, em busca de riscos.
Ao rastrear os movimentos oculares de peixes-zebra, pesquisadores identificaram quatro subestados de sono, próximos aos estágios descritos para humanos. O estudo foi publicado na Nature Communications.
Os peixes passam por três subestados noturnos, somando cerca de 10 horas de sono, e há um quarto estado que ocorre ao longo do dia. Em cada estado, os olhos exibem padrões diferentes de movimentos.
O mais profundo é marcado por olhar fixo e imóvel, semelhante ao sono profundo. Em seguida, surge um estágio mais leve, com os olhos movendo-se lateralmente na mesma direção.
À medida que a manhã se aproxima, os olhos voltam para o mesmo lado, e, no quarto estado, ocorrem deslocamentos rápidos de um lado para o outro durante breves períodos.
Metodologia
A equipe utilizou um sistema autônomo de microscópio e câmera dirigida pelo neurocientista Drew Robson. O instrumento acompanhou 105 peixes-zebra em um aquário, registrando nado, caça e sono.
O estudo permitiu observar o cérebro em atividade enquanto o corpo e os olhos se moviam. Pesquisadores captaram imagens de cálcio para acompanhar a atividade neural durante os diferentes estados do sono.
“Esta é a primeira vez que registramos o cérebro inteiro de um animal em movimento livre”, disse Vikash Choudhary, doutorando do Max Planck e autor principal.
Resultados e interpretações
Os peixes-zebra apresentam estados de sono específicos, com determinadas populações de neurônios ativadas e marcadores desses estados. O uso de peixes transparentes nas primeiras semanas facilita a observação direta do cérebro.
Especialistas externos destacaram que, apesar de menor, o cérebro do peixe-zebra pode ajudar a identificar mecanismos centrais do sono humano, já que genes e neurônios reguladores costumam ter efeitos semelhantes.
Ao todo, o estudo reforça que peixes possuem estruturas de sono complexas, com respostas neurais distintas para cada estado. Pesquisadores ressaltam que esses achados ampliam a compreensão sobre por que e como o sono evoluiu.
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